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Quando a menstruação atrapalha sua rotina, pode ser hora de investigar miomas
Quantas vezes por dia você precisa trocar o absorvente quando está menstruada? Você tem cólicas tão fortes, que atrapalham a rotina? A barriga aumenta nestes dias e você nem entende por quê? Embora sejam normalizados por muitas mulheres, estes sinais podem indicar a presença de um mioma uterino, um tumor benigno bastante comum entre mulheres em idade reprodutiva.
Quando o mioma precisa ser tratado?
Ter um mioma não significa necessariamente que seja preciso fazer algum tratamento. Muitas mulheres têm nódulos pequenos e não apresentam sintomas. A decisão depende de fatores como tamanho e localização dos miomas, sintomas, impacto na qualidade de vida e planos de gravidez.
Os sinais que merecem investigação incluem:
- menstruação muito intensa ou prolongada;
- sangramentos fora do período menstrual;
- cólicas fortes;
- sensação de pressão ou peso na região pélvica;
- aumento do volume abdominal;
- dor durante as relações sexuais;
- dificuldade para engravidar, em alguns casos.
Se a menstruação passou a atrapalhar a rotina, vale conversar com um ginecologista em vez de simplesmente se acostumar com o problema.
Como tratar?
Para quem já é mãe, os sintomas podem ganhar ainda mais impacto. Afinal, lidar com sangramento intenso, dor ou cansaço enquanto cuida dos filhos, trabalha e dá conta da rotina da casa pode ser especialmente difícil. E há outro medo que pode aparecer junto com o diagnóstico, sobretudo para quem ainda deseja aumentar a família: “Será que vou precisar de cirurgia? Ou vou ter de retirar o útero?”
Para muitas mulheres, especialmente aquelas que ainda desejam engravidar, ouvir a palavra “mioma” pode vir acompanhado do medo de perder a possibilidade de uma nova gestação. Mas o diagnóstico, por si só, não determina qual será o tratamento.
Existem diferentes opções, que podem incluir acompanhamento, medicamentos, procedimentos minimamente invasivos e cirurgias. A melhor escolha depende das características do mioma, dos sintomas e dos planos da mulher. Por isso, mais importante do que tentar decidir antecipadamente qual tratamento fazer é buscar uma avaliação individualizada.
Embora a histerectomia — cirurgia para retirada do útero — seja uma opção em determinados casos, existem outras formas de tratar miomas. Uma delas é a embolização uterina, procedimento minimamente invasivo que pode reduzir os miomas sem a necessidade de uma cirurgia aberta.
O procedimento é realizado por um radiologista intervencionista. Um pequeno cateter é introduzido por uma artéria, que pode ser localizada na região da virilha ou do punho, e conduzido até os vasos sanguíneos que levam sangue aos miomas. “Sem receber sangue, eles reduzem de tamanho e deixam de causar os sintomas”, explica o radiologista intervencionista Henrique Elkis, membro da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice).
Uma das principais diferenças em relação a uma cirurgia convencional é que não é necessário fazer uma abertura no abdômen para retirar os miomas. Segundo o especialista, o procedimento não deixa cortes ou pontos e, em geral, a internação dura cerca de 24 horas, com retorno às atividades habituais em aproximadamente três a cinco dias.
A embolização pode preservar o útero, mas isso não significa que seja automaticamente o tratamento mais indicado para toda mulher que deseja uma gravidez. “Hoje existem alternativas eficazes que permitem tratar os miomas preservando o útero. A escolha do tratamento deve ser individualizada, levando em consideração as expectativas e as preferências de cada paciente”, afirma Elkis.
Segundo o especialista, mulheres podem engravidar depois da embolização e, em sua prática, há pacientes que tiveram gestações após o procedimento. Ele afirma que, quando a técnica é realizada adequadamente, a embolização não impede uma gestação futura e recomenda aguardar cerca de seis meses antes de tentar engravidar.
A decisão, entretanto, deve ser discutida individualmente com o ginecologista e com o especialista responsável pelo procedimento, principalmente porque fertilidade e resultados reprodutivos precisam ser considerados na escolha entre as diferentes opções de tratamento.
Como é a recuperação?
Uma das vantagens da embolização é justamente ser menos invasiva do que uma cirurgia abdominal. De acordo com o especialista, a paciente costuma permanecer internada por aproximadamente 24 horas e pode retomar suas atividades habituais entre três e cinco dias.
Isso não significa, porém, que o período logo após o procedimento seja necessariamente livre de sintomas. Nos primeiros meses, podem ocorrer alterações temporárias no ciclo menstrual, sangramentos irregulares, eliminação de pequenos coágulos e corrimento. Segundo Elkis, essas alterações costumam desaparecer espontaneamente depois de dois ou três ciclos.
“Os avanços da medicina permitem oferecer tratamentos cada vez menos invasivos e mais personalizados. Buscar orientação médica ao perceber sintomas é fundamental para conhecer todas as opções disponíveis e escolher o tratamento mais adequado para cada caso”, conclui o especialista.
Canguru News
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