Artigos
É possível criar crianças emocionalmente saudáveis através do medo e do castigo?
A punição e o castigo causam dor, vergonha e culpa nas crianças e, ao contrário do que muita gente acredita, não educam. Além disso, a punição desconecta os filhos de seus pais.
Já sabemos que aprendemos melhor no amor e não através da dor. Mas para que isso seja possível na prática, precisamos, primeiramente, nos educarmos e nos conscientizarmos que há formas que façam mais sentido para educar, como por exemplo ser um bom exemplo para os filhos.
Castigos geram muitos problemas comportamentais nos filhos e por mais incrível que pareça, essa atitude não melhora o comportamento indesejado. Aliás, tende a piorar muitas vezes.
É muito dolorido apanhar de quem se ama. Os filhos são loucos pelos pais e quando apanham não entendem o que acontece. Ficam confusos. Associam amar a uma dor e por isso tanta gente cresce com medo de amar, medo de se entregar, medo de sofrer. Claro, começaram a fazer essa confusão desde pequenos dentro da própria casa, levantando perguntas como: “Como alguém que diz que me ama e também pode me ferir?”, “Como alguém que diz que me ama, me bate e me faz chorar, em vez de me tratar com respeito e me ensinar o que é certo com gentileza?” Não faz sentido.
Não existe dor maior do que sermos feridos por quem mais amamos. Muitos estudos mostram os malefícios dessa forma autoritária e desrespeitosa de educar. Você já percebeu o que acontece quando os pais punem os filhos?
LEIA TAMBÉM: 3 razões para você não colocar seu filho no ‘cantinho do pensamento’
Consequências da punição
- A punição convida os filhos à rebelião – e não à colaboração.
- Desperta sentimentos como medo, raiva e vingança ao invés de respeito e empatia.
- Os hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina, aumentam e isso diminui a capacidade de foco e concentração da criança.
- Desconecta pais e filhos emocionalmente e portanto existe uma menor chance de mudanças positivas no comportamento.
- Faz com que as crianças tenham crenças como “não sou uma boa criança”, “ninguém me ama”, “não faço nada certo” e isso afeta a auto-estima delas negativamente.
- O mau comportamento não melhora.
- Quando essas punições são frequentes, podem ainda acarretar estresse tóxico, o que tem vários efeitos negativos como agressividade, problemas de socialização, dificuldades de aprendizado e distanciamento emocional dos pais.
LEIA TAMBÉM: Maioria dos pais acha que castigos, gritos e palmadas são necessários na educação da criança, diz estudo
Como desenvolver habilidades emocionais e de comunicação
Sim, as crianças precisam de limites, aprender a seguir regras e a respeitar o próximo. Mas existem outras formas de educar que não seja usando a força, o desrespeito e a agressividade. É preciso desenvolver habilidades emocionais e de comunicação nos pais e nos filhos para que a qualidade das relações possa melhorar e claro que essa mudança precisa começar pelo adulto dessa relação. Exemplos dessas habilidades:
Praticar a empatia – ouvir e validar o sentimento das crianças que tantas vezes não possuem o direito nem de se expressarem livremente por excesso de repressão e critica.
Buscar equilíbrio, autoconhecimento e autocontrole – toda mudança começa de dentro pra fora. Não adianta cobrar calma, equilíbrio e autocontrole dos seus filhos se você ainda não é capaz de agir assim.
Entender que os erros fazem parte do processo de aprendizado – punir uma criança porque ela cometeu um erro é algo no mínimo muito incoerente. Claro que ela precisa compreender os motivos que a levaram a errar, mas ninguém nasce sabendo. Cabe aos pais orientar, ter paciência, ensinar as crianças a pensarem e focar em soluções para que esses erros possam ir diminuindo ao longo do caminho.
Aceitar a personalidade única de cada filho – somos únicos e mesmo que você tenha 5 filhos, cada um será de um jeito. Quando os pais tentam colocar os filhos dentro de “moldes” pré-definidos podem causar muita resistência e conflitos.
Precisamos ter a humildade para reconhecer que sempre teremos muito a aprender, especialmente, quando se trata de educar outro ser humano. O desafio é grande mesmo. Mas você pode começar a mudar suas atitudes e colher novos resultados mais positivos no seu convívio familiar. Faça a sua parte!
LEIA TAMBÉM: Resiliência e outras 4 habilidades que ajudam os filhos a prosperar no futuro
[mc4wp_form id=”26137″]
Telma Abrahão
Telma Abrahão é formada em Biomedicina mas mudou de carreira após a maternidade, tornando-se educadora parental. Autora do livro "Pais que evoluem" e apaixonada pelo tema da Parentalidade Positiva, fundou a empresa Positive Parenting Education, uma escola de pais localizada na Flórida (EUA), que ajuda famílias a encontrar mais equilíbrio em suas relações entre pais e filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
10 cuidados que toda mãe de criança cacheada precisa conhecer
Hidratação, finalização suave e menos desembaraço: com algumas orientações práticas, você ajuda seu filho a manter os cachos saudáveis e...
O que você precisa saber sobre a volta às aulas se o seu filho tem TDAH
Retomada da rotina escolar pode evidenciar desatenção, impulsividade e dificuldades de organização. Acompanhamento médico e apoio da escola são essenciais
Vai, Planeta! Clássico dos anos 1990 vai voltar em live-action, em produção da Netflix
Nunca precisamos tanto de alguém para salvar o meio-ambiente e, pelo menos, na ficção, poderemos contar com ele, o Capitão...
Xô, Piolho! Estratégias eficazes para a volta às aulas sem pesadelos
Coceira na cabeça nem sempre é falta de higiene, mas pode ser sinal de piolho. Entenda por que eles aparecem...






