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Presépio do Pipiripau foi reinaugurado e está aberto a visitação; veja as fotos!
Por Daniele Franco

Depois de cinco anos de um trabalho árduo de restauração, o Presépio do Pipiripau, patrimônio histórico e cultural tombado, volta a ser aberto para o público. A partir de hoje, 26, quem quiser pode visitar o Museu de História Natural da UFMG e conferir de perto a obra secular.
O encanto das peças móveis e luzes que se acendem e se apagam são um prato cheio para as crianças. “Eu quero que elas tenham a oportunidade de, como eu quando criança, sentirem como se estivessem no céu”, afirma Bethania Reis Veloso, diretora do Centro de Restauração e Conservação de Bens Culturais da UFMG e coordenadora do processo de restauração.
Além do teor religioso da obra, baseada no nascimento de Cristo, e dos elementos e cenas bíblicas, a obra traz mais do que a história de uma crença, traz a história de uma cidade. O artesão Raimundo Machado Azevedo começou cedo, aos 12 anos, a construir o presépio que leva o nome da então região do Pipiripau, que compreendia os bairros Sagrada Família, Floresta e Horto.
As cenas são cheias de referências à história do crescimento de Belo Horizonte, com vários ofícios retratados através das passagens bíblicas e movimentos da cultura popular de Minas Gerais. Procissões, um São José marceneiro ao lado do Menino Jesus e igrejinhas típicas do interior são elementos marcantes da obra.
O Presépio do Pipiripau demorou 82 anos para ser concluído pelo artista que o idealizou e outros 5 para ser restaurado e se tornar mais moderno e sustentável. Agora, o público belo-horizontino pode visita-lo e apreciar todo o encantamento das cenas, dos objetos e dos detalhes.
Confira a galeria da reabertura. Fotos de Gustavo Andrade.
A restauração
Depois de mais de um século de história, a obra precisou passar por um minucioso processo de restauração. O financiamento foi feito pelo Instituto Unimed BH através da Lei Rouanet e uma equipe de mais de 30 pessoas, entre alunos e professores das escolas de Belas Artes e Engenharia da UFMG, trabalhou durante 5 anos desde o processo de diagnóstico até a preparação dos detalhes finais da obra.
Os 20 metros quadrados com mais de 3 mil peças, 586 figuras, 45 cenas e o complicado jogo de mecanismos que dão vida e movimento ao presépio foram pensados e construídos pelo artesão Raimundo Machado Azevedo, que, autodidata, começou a montar as peças em 1906, e levou 82 anos para concluir a obra. Durante todo esse tempo, o material utilizado foi se deteriorando.
Ruy Caldeira, restaurador marceneiro responsável por analisar e restaurar a estrutura do presépio, conta que a madeira que sustentava a obra estava tomada por cupins e corria o risco de ruir. “Trocamos as madeiras originais por outras menos susceptíveis ao ataque dos insetos, como o paraju para a estrutura e o cumaru para o tablado”.
Bethania Reis Veloso, que coordenou o projeto, afirma que o trabalho foi duro. “Houve momentos em que eu achei que não iríamos acabar, mas hoje eu vejo tudo pronto e me sinto muito emocionada por devolver à comunidade e principalmente às crianças esse bem tão precioso”. Com olhos marejados, Bethania transparece a satisfação e a felicidade do dever cumprido.
A neta de Seu Raimundo, Lúcia Fátima Ramos, conta que ficou maravilhada com o resultado do trabalho. “Eu cresci junto com esse presépio, e entrega-lo aos cuidados da UFMG trouxe tranquilidade à minha família, que passou a ter a certeza da conservação do trabalho do meu avô”.
Para visitar
O Presépio do Pipiripau fica no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG e é aberto à visitação às quartas, quintas e sextas, às 11h e às 16h, e aos sábados e domingos, às 11h, 12h, 15h e 17h. O ingresso para o museu custa R$ 10.
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