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Práticas de meditação e ioga também podem trazer benefícios às crianças
Por Luciana Ackermann
Colaboraram Catarina Ferreira e Daniele Franco

ao ver a prática da mãe, Roberta Maia, que é budista | Foto: Ricardo Borges
Pouco a pouco, atividades que buscam maior concentração e tranquilidade, respiração mais consciente, persistência e paciência ganham espaço dentro e fora das escolas. A meditação e a ioga vêm firmando-se entre as opções voltadas para as crianças, especialmente em tempos em que os pequenos são cada vez mais afetados pela tecnologia e pela avalanche de novidades. De forma leve e lúdica, os exercícios e as técnicas prometem maior consciência corporal, diminuição da ansiedade e aumento da atenção.
Diversas são as origens, as correntes e os métodos na meditação, mas todas visam ampliar o estado de consciência e o controle da mente. Algumas delas têm trabalho específico para os pequenos. Desde o início de 2016, Roberta Maia, que é budista há cerca de dez anos, leva o filho Miguel, de 4 anos, à aula de meditação do Turminha Kadampa, do Centro de Meditação Kadampa (CMK), no Rio de Janeiro. Roberta conta que tem um altar em sua casa, onde segue a prática, e que, de um jeito muito natural, surgiu a curiosidade do menino. Ele experimenta prece, canto, meditação e contação de histórias relacionadas a ensinamentos sobre a compaixão e a importância de se fazer o bem para o outro. “Ele gosta muito. Percebo que tem ficado mais calmo, inclusive quando passa por crises de laringite, em que temos de correr para o hospital para fazer nebulização”, relata Roberta, que afirma não ter a pretensão de tornar o filho budista, mas de mostrar uma filosofia que ensina a importância do controle da mente, para, a partir daí, coordenar as emoções. “A essência da meditação é estar presente no agora, no que está fazendo naquele momento. Isso nos dá mais serenidade e tranquilidade”. diz.
Lucas Leão, professor da Turminha Kadampa, afirma que a meditação é uma fonte de paz mental e felicidade para todas as pessoas, independentemente da idade ou de serem ou não budistas. “Não há idade mínima. Costumo dizer aos pais que o mais importante é a criança gostar de ouvir histórias e de brincar. Já houve aulas em que os pais levaram bebês com menos de 1 ano – apesar de não entenderem o que estava acontecendo, desfrutaram de um ambiente em paz com outras crianças”, explica Leão, complementando: “Normalmente, crianças menores de 4 ou 5 anos ainda têm dificuldade de focar uma única atividade, costumam ficar mais agitadas. Por isso, ficam livres para entrar e sair quando quiserem, inclusive durante o tempo da meditação, permitindo a elas que interajam quando têm vontade. Essas são ‘conquistadas’ pela história e pela brincadeira e, com o tempo, vão acostumando-se com a sensação de paz mental”.
A aula é interativa, com o professor, as crianças e os pais, se quiserem. Todos sentados no chão. A meditação para as crianças é a mesma dos adultos, a diferença está na linguagem e no tempo, que é menor: cinco minutos. “Usamos meditações que estimulam a imaginação associada à respiração ou com visualizações. Nosso maior interesse é que as crianças desenvolvam uma mente positiva em relação à prática de meditação em geral, entendendo que meditar pode (e deve!) ser algo divertido”, esclarece o professor.
Segundo Klebér Tani, um dos diretores da Sociedade Internacional da Meditação, que difunde a Meditação Transcendental (MT), trata-se de uma técnica milenar oriunda da Índia, que permite que a mente se aquiete, alcançando um estado calmo, integrado e alerta em que o corpo repousa profundamente. A cada dois meses, há curso para crianças de 5 a 10 anos. As orientações são apresentadas em dois dias, com uma hora de duração, de forma lúdica e com muita brincadeira. “A técnica é muito simples e fácil. Dois a três minutos, duas vezes por dia, permitem mergulhar dentro de si, acalmando a mente”, explica.

Ioga e mantras
Antonio Tigre, professor e autor do livro As Aventuras do Menino Iogue, sucesso de vendas que deu origem a um premiado musical infantil, conta que, após 13 anos de pesquisa e trabalho, desenvolveu um método que mistura jogos teatrais e os ensinamentos da ioga, que conheceu aos 17 anos em Nova York. Formado em artes cênicas, ele criou uma técnica repleta de ludicidade. “O ganho é enorme. Aprimora a coordenação motora, trabalha o equilíbrio, amplia a capacidade respiratória e melhora, inclusive, a constituição física da criança, reorganizando corpo e mente”, afirma Tigre, que, atualmente, dedica-se a formar professores de ioga para pequenos. Muitos artistas e filhos de artistas foram alunos de Tigre, entre elas a pequena Manuela, de 8 anos, filha de Eduardo Moscovis e Cynthia Howlett. “Ela adorava as aulas do Antonio e fala que gostaria de voltar a praticar. À noite, em casa, e sempre que fica meio nervosa, Manu pede para ouvir mantras”, conta Cynthia.
Na carioca Atchim Creche Escola, cuja proposta é privilegiar a questão afetiva, as aulas de ioga fazem parte das atividades da grade curricular há cerca de três décadas. Susana Ribeiro, mãe de Daniel, de 4 anos, que estuda na Atchim, diz que a atividade é um sucesso. “Desde que meu filho começou a fazer aulas de ioga, percebo que melhorou muito o equilíbrio corporal. Hoje, faz determinados movimentos com as pernas e já não se desequilibra como antes. Também notei uma melhora na atenção e na capacidade de concentração dele”, conta Susana ,complementado: “Ele adora fazer as posturas dos animais, principalmente a do sapo”, diverte-se a mamãe.
No Espaço Ananda Yoga Marcello Gama, que funciona dentro da Casa Espanha, no Rio, há ioga kids, para os pequenos de 3 a 9 anos, e baby ioga, em que mães praticam junto com seus bebês. Entre as posições que as crianças mais curtem estão a vela, o gato e o guerreiro. “Os pequenos adoram e nos surpreendem, nem sempre são tão dispersas quanto imaginamos. Algumas parecem prontas e disciplinadas para a prática”, diz o próprio Gama, concluindo: “Em tempos de excesso de informação, é essencial baixar a ansiedade, exercitar a paciência e a aceitação”, conclui.

Canguru News
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