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Por que o refluxo atinge quase todas as gestantes (e o que realmente vale a pena fazer)?
Azia que não dá trégua, sensação de queimação que sobe para o peito e aquele incômodo que piora justamente à noite… Se você está grávida e vive algo assim, saiba que não está sozinha: o refluxo gastroesofágico é uma das queixas mais comuns da gestação, atingindo de 40% a 85% das gestantes, segundo pesquisas recentes. O quadro pode começar cedo, ainda no primeiro trimestre, e tende a se intensificar conforme o bebê cresce, afetando o sono, o apetite e até a rotina social.
Segundo o gastroenterologista Décio Chinzon, de São Paulo (SP), as causas estão diretamente ligadas às transformações profundas que acontecem no corpo da mulher. O aumento da progesterona, hormônio essencial para manter a gestação, acaba relaxando o esfíncter esofágico inferior, uma pequena válvula que impede o retorno do conteúdo ácido do estômago. “A progesterona tem um papel fundamental no relaxamento da musculatura uterina para prevenir contrações prematuras, mas infelizmente também afeta o esfíncter esofágico. Somado ao crescimento do útero que comprime o estômago, especialmente no segundo e terceiro trimestres, temos o cenário perfeito para o desenvolvimento do refluxo”, explica.
Os sintomas mais frequentes incluem azia, regurgitação, dor no peito, sensação de bolo na garganta, além de soluços, eructação, tosse e, em alguns casos, tontura. Se identificou? Esses incômodos costumam piorar quando a gestante se deita ou após refeições maiores. Complicações graves são raras, mas alguns sinais exigem atenção: vômito com sangue, fezes muito escuras ou ausência de melhora mesmo com tratamento devem ser avaliados pelo médico.
Na maioria dos casos, o desconforto é temporário. Após o parto, com a redução hormonal e o fim da pressão sobre o estômago, o quadro tende a melhorar. Ainda assim, o impacto durante a gravidez não deve ser minimizado: estudos mostram que tudo isso pode ter consequências, como prejuízo no sono, na alimentação e até no bem-estar emocional.
O que realmente ajuda
De acordo com o especialista, o primeiro passo do tratamento é adotar algumas medidas comportamentais simples, que fazem diferença no dia a dia. Aqui, ele dá orientações importantes:
- Fracione as refeições: comer menos quantidade mais vezes ao dia — a cada 2 ou 3 horas — reduz a pressão no estômago e diminui o retorno ácido.
- Evite deitar após comer: aguarde pelo menos 2 a 3 horas antes de ir para a cama.
- Ajuste a posição ao dormir: eleve a cabeceira da cama em cerca de 15 cm e, se possível, durma virada para o lado esquerdo.
- Observe a alimentação: gorduras, frituras, chocolate, bebidas cítricas e alimentos muito condimentados podem piorar o quadro.
- Converse com o obstetra: quando as medidas comportamentais não bastam, há opções seguras de medicação. Antiácidos com alginato de sódio são classificados como categoria A de segurança pela Anvisa, formando um gel que cria uma barreira protetora contra o ácido.
O mais importante é não normalizar o sofrimento. “O refluxo gastroesofágico na gravidez é uma condição muito comum que pode ser efetivamente controlada com o tratamento adequado. O primordial é buscar ajuda. Existem soluções seguras que permitem às gestantes viverem este período de forma mais confortável e prazerosa”, afirma.
Canguru News
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