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Padecendo: ‘Não queremos abrir mão de regalias, mas o preço disso é alto’
Por Bebel Soares

Violência urbana, medo, assalto, corrupção, sequestro. Esse é o cenário do país que temos hoje.
Andamos com medo, mas não fazemos nada. Nossa indignação termina quando pensamos que a mudança que poderia vir nos tiraria da nossa zona de conforto.
Nossas soluções são individualistas, assim como nós e nossa mania de querer pensar apenas no nosso problema e viver no nosso universo-umbigo.
Se tudo der errado, o que eu vou fazer? O que eu tenho feito?
– Sair do país?
– Me trancar em condomínios?
– Usar carro blindado?
– Não frequentar espaços públicos?
A questão não é concordar ou discordar, a questão é refletir e pensar na sociedade que queremos. Queremos mudanças? Queremos deixar tudo como está?
Já diz a música Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero), do Rappa:
“… paz sem voz Não é paz, é medo! (…) As grades do condomínio São pra trazer proteção Mas também trazem a dúvida Se é você que tá nessa prisão.”
Não queremos abrir mão de regalias, mas o preço disso é alto.
Quem te assalta?
Quem não tem acesso a uma boa educação?
Para quem a pobreza é conveniente?
Temos que parar de pensar em questões pontuais e pessoais e pensar na influência das nossas escolhas no global. Enquanto não conseguirmos nos abrir para um pensamento coletivo, vamos continuar tendo o país que temos hoje. E que nossos filhos terão amanhã.
Bebel Soares é fundadora da plataforma de apoio a mães Padecendo no Paraíso. Na Canguruela fala sobre educação, saúde, alimentação, sexo, inclusão e viagens.Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
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