O que toda grávida precisa saber para se proteger do vírus Oropouche

Pesquisa da USP alerta para riscos da infecção para gestantes brasileiras. Doença pode ser transmitida de mãe para filho, levando a malformações. Aqui, os cuidados importantes para prevenção
Você já ouviu falar do vírus Oropouche?

Influenza, covid, herpes, zika… A lista de vírus que causa preocupações, sobretudo na gestação, já não é pequena. Agora, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) chamou atenção para mais um: o Oropouche. Você já ouviu falar? A pesquisa, conduzida por grupos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, analisou evidências de transmissão deste vírus da mãe para o feto e os possíveis impactos dessa infecção em bebês em desenvolvimento.

A principal descoberta é que o vírus, conhecido por causar a febre de Oropouche, parece ser capaz de ultrapassar as células da placenta, alcançando o feto em desenvolvimento. Embora ainda se trate de um achado em fases iniciais de investigação, a hipótese aumenta a preocupação com possíveis consequências neurológicas e outras alterações no bebê.

O Oropouche é um arbovírus transmitido principalmente por insetos como o maruim (Culicoides paraensis), que se proliferam em ambientes com água parada e vegetação densa. Nos últimos anos, surtos da doença têm sido registrados em várias regiões do Brasil e em países vizinhos, com milhares de casos confirmados desde 2023, inclusive em estados fora da região amazônica, o que amplia a necessidade de atenção das autoridades de saúde pública.

Apesar de muitos casos de febre de Oropouche apresentarem sintomas leves semelhantes aos de outras doenças transmitidas por vetores, como febre alta, dores no corpo e dor de cabeça, a possibilidade de transmissão vertical e de eventos adversos na gestação é vista como um sinal de alerta tanto para médicos quanto para gestantes.

“A febre do oropouche pode ser erroneamente diagnosticada como outras infecções febris”, diz o médico e professor Geraldo Duarte, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina (FM) da USP e um dos pesquisadores envolvidos no estudo. “A semelhança com outras arboviroses dificulta o diagnóstico apenas pela avaliação clínica, tornando necessária a combinação entre análise dos sintomas, histórico epidemiológico e exames laboratoriais. Em gestantes infectadas é o acompanhamento da gestação em serviços integrados, com diferentes especialidades”, afirma o professor, que ressalta a importância de identificar de forma correta, para aprimorar o acompanhamento e evitar possíveis complicações para a mãe e para o bebê.

Ainda não existem medicamentos específicos ou vacinas aprovadas para prevenir ou tratar a infecção pelo vírus Oropouche, e os pesquisadores recomendam que o foco continue sendo a prevenção das picadas de insetos e a vigilância ativa de casos em gestantes.

Cuidados que as grávidas precisam ter com o Oropouche

Como ainda não há tratamento, o foco deve ser a prevenção. Aqui, o que você pode fazer para proteger sua saúde e a do seu filho:

– Prevenção contra picadas: uso de repelentes seguros na gravidez e barreiras físicas como roupas que cubram braços e pernas.

– Atenção a sintomas: qualquer febre ou mal-estar deve ser comunicado rapidamente ao obstetra.

– Acompanhamento obstétrico reforçado: monitorização mais frequente em áreas de surto e análise cuidadosa de exames que possam indicar alterações fetais.

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