O Outono chegou! Saiba como se preparar para a onda de doenças respiratórias em crianças

Queda de temperatura, ar seco, vírus em circulação e ambientes fechados criam o cenário perfeito para crises respiratórias. Aqui, especialistas explicam como prevenir e identificar a hora de correr para o pronto-socorro
Consultórios e prontos-socorros começam a registrar aumento de casos de rinite, sinusite, gripe, bronquiolite e crises de broncoespasmo, especialmente entre crianças Foto: Freepik

A chegada do outono, que começa oficialmente nesta sexta-feira (20), marca também o início de um período de atenção redobrada com a saúde respiratória. Consultórios e prontos-socorros começam a registrar aumento de casos de rinite, sinusite, gripe, bronquiolite e crises de broncoespasmo, especialmente entre crianças. Já viu tudo, né? É aquela temporada em que seu filho volta da escola com o nariz escorrendo, tossindo, com a garganta doendo…

Segundo a otorrinolaringologista Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a estação é propícia para crises alérgicas. “No outono temos queda de temperatura, redução da umidade do ar e maior permanência em ambientes fechados. Isso aumenta a concentração de alérgenos dentro de casa, especialmente ácaros e fungos. Além disso, o ar mais seco irrita a mucosa nasal e deixa o nariz mais sensível e reativo”, explica.

Esse cenário favorece principalmente a rinite alérgica, que pode se intensificar nessa época do ano. Espirros frequentes, coriza, coceira no nariz, olhos e garganta, além de congestão nasal, estão entre os sintomas mais comuns. Muita gente, no entanto, confunde alergia com resfriado, o que pode atrasar o tratamento adequado.

“A principal diferença é que a alergia não costuma causar febre e pode persistir por semanas. Já o resfriado, geralmente, vem acompanhado de mal-estar, dor no corpo, às vezes febre baixa, e tende a durar entre cinco e sete dias”, afirma a especialista.

Outro agravante típico do outono é o acúmulo de poeira dentro de casa, já que janelas ficam mais fechadas e cobertores voltam a ser usados. “Os ácaros liberam partículas microscópicas que, quando inaladas, ativam o sistema imunológico de pessoas predispostas. O organismo interpreta essas partículas como uma ameaça e desencadeia inflamação na mucosa nasal, provocando espirros, coriza e obstrução nasal”, diz a médica.

Para quem já tem histórico de rinite ou sinusite, o cuidado deve ser ainda maior. “Pacientes que já têm essas condições costumam apresentar mucosa mais sensível e podem descompensar com mais facilidade no outono. Por isso, medidas simples de controle ambiental são muito importantes”, orienta.

Cuidados com as crianças

Se para os adultos o período já exige cuidado, para as crianças o alerta é ainda maior. Isso porque, além das mudanças climáticas, o início do ano escolar aumenta a exposição a vírus. O pediatra Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), destaca que os sintomas respiratórios costumam ser parecidos no início, o que dificulta a identificação.

“Infelizmente a maioria dos quadros respiratórios começa de forma semelhante, o que reforça ainda mais a importância da avaliação médica para definir o diagnóstico correto e a conduta adequada em cada caso”, afirma.

De acordo com o pneumologista pediátrico Cláudio D’Elia, do Prontobaby – Hospital da Criança, no outono, os vírus contagiosos circulam mais e podem provocar crises de broncoespasmo, causando estreitamento das vias aéreas e dificuldade para respirar. Para ele, o vírus sincicial respiratório (VSR), fortemente associado a quadros graves em crianças pequenas, como bronquiolite e pneumonia.

Além disso, o clima contribui diretamente para o problema. “Durante os períodos de clima frio e seco há comprometimento da resposta imune das vias aéreas e os vírus conseguem permanecer por mais tempo no ambiente. Por isso, infecções respiratórias e episódios de broncoespasmo tendem a aumentar nessa época do ano”, afirma.

O retorno às aulas também pesa na equação. “As crianças em idade escolar podem se tornar fonte de contágio dentro de casa, transmitindo os vírus para irmãos menores”, destaca o especialista.

Por que os bebês sofrem mais

Bebês e crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis porque têm vias aéreas mais estreitas e sistema imunológico ainda imaturo. “Os bebês têm vias aéreas mais curtas e estreitas, e o sistema de defesa ainda é imaturo. Quando ocorre uma infecção viral, qualquer inflamação ou produção de muco pode bloquear rapidamente a passagem do ar, levando ao chiado e à dificuldade para respirar”, explica D’Elia.

Outro ponto importante é diferenciar broncoespasmo de asma. “O broncoespasmo é a contração dos músculos das vias aéreas, que pode ser desencadeada por infecções virais, alérgenos ou fatores ambientais. Já a asma é uma doença crônica caracterizada por inflamação persistente das vias aéreas e crises recorrentes”, esclarece.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda?

Embora muitos quadros sejam leves, alguns sintomas indicam gravidade e exigem atendimento imediato. “Se a criança apresentar respiração muito rápida, retrações no peito ou lábios arroxeados, os pais devem procurar imediatamente um pronto-socorro”, orienta o pneumologista.

Nos adultos, a recomendação é buscar avaliação médica quando os sintomas duram mais de 10 a 14 dias, pioram progressivamente ou vêm acompanhados de dor facial e secreção espessa. “A automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto. Além disso, o uso prolongado de descongestionantes nasais pode causar efeito rebote e agravar a obstrução nasal”, alerta Roberta Pilla.

Como se proteger no outono

A boa notícia é que medidas simples ajudam a reduzir bastante o risco de crises respiratórias:

  • Lavar o nariz com soro fisiológico diariamente
  • Manter ambientes ventilados
  • Evitar acúmulo de poeira (tapetes, cortinas, pelúcias)
  • Lavar roupas de cama com frequência
  • Manter a vacinação em dia
  • Evitar exposição à fumaça e poluição
  • Usar umidificadores em dias muito secos

“A prevenção envolve controlar fatores ambientais, reduzir a exposição a alérgenos e manter as vacinas atualizadas. Essas medidas ajudam a diminuir os gatilhos que desencadeiam crises respiratórias”, conclui D’Elia.

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