“Meu filho está demorando para falar. Isso é autismo?”

Embora muitas famílias preocupadas façam essa associação, a demora para falar, sozinha, não define o diagnóstico de TEA e reforça a importância de olhar para o desenvolvimento da criança como um todo
O diagnóstico do autismo envolve a análise de um conjunto de fatores
Foto: Freepik
O diagnóstico do autismo envolve a análise de um conjunto de fatores Foto: Freepik

Se eu ganhasse um real para cada vez que ouvi essa associação, já teria comprado muitos livrinhos de estímulo aqui em casa. Quando uma criança demora mais para começar a falar, é muito comum que o primeiro pensamento dos adultos seja: “Será que é autismo?”

Mas preciso dizer com toda a calma do mundo: atraso de fala, sozinho, não define TEA. E essa conclusão apressada, além de gerar uma angústia enorme nas famílias, pode até atrasar o acompanhamento correto da criança.

A fonoaudióloga Judithe Telles explica, em entrevista ao Canguru News, que o desenvolvimento da fala é apenas uma das peças desse quebra-cabeça. “O diagnóstico do autismo envolve a análise de um conjunto de fatores, especialmente relacionado à interação social e aos comportamentos da criança. A fala, isoladamente, não fecha diagnóstico”, esclarece.

E isso faz toda a diferença.

Nem todo atraso de fala é autismo

Atraso no desenvolvimento da fala pode ter várias causas. Entre elas, o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), alterações auditivas, transtornos motores da fala, prematuridade, fatores emocionais, ambientais e até a pouca ou estimulação no dia a dia. Ou seja: existem muitos caminhos possíveis antes de qualquer rótulo.

Isso não quer dizer que o atraso deve ser ignorado, muito pelo contrário. Toda dificuldade de comunicação merece atenção e avaliação. A questão é que essa investigação precisa ser cuidadosa, ampla e feita por profissionais especializados, olhando a criança como um todo.

Cada criança tem um ritmo 

Outro cuidado essencial é lembrar que não existe um único padrão de desenvolvimento. Comparações com irmãos, primos ou coleguinhas quase sempre geram mais ansiedade do que ajuda.

O acompanhamento ideal é aquele que respeita o ritmo e as necessidades específicas de cada criança, sem fórmulas prontas. O trabalho terapêutico deve ser contínuo, ajustado ao longo do tempo e focado não só na fala, mas também na comunicação, na interação e no desenvolvimento global.

“O mais importante de um diagnóstico rápido é que a família encontre um espaço de escuta, orientação e um plano terapêutico bem estruturado”, reforça Judithe. Segundo ela, esse acompanhamento ajuda de forma consistente a construir avanços reais e também a reduzir inseguranças ao longo do caminho.

Observar, acolher e buscar ajuda 

Para pais e cuidadores, a principal orientação é observar a criança como um todo, usar os marcos do desenvolvimento como referência e procurar profissionais sempre que surgirem dúvidas. Toda dificuldade merece atenção. Não merece pressa para ser rotulada. Na Canguru, a gente acredita que informação acolhe, orienta e tranquiliza. E que cada criança merece ser vista com tempo, cuidado e respeito. 

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