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Mês de combate ao bullying: uma reflexão sobre a saúde emocional do adolescente

Uma pesquisa da Universidade de Oxford revelou que adolescentes que sofreram bullying apresentaram 3,5 vezes mais chances de desenvolver depressão severa. Vítimas de bullying de forma recorrente também têm quatro vezes mais chances de desenvolver pensamentos suicidas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste mês em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola (dia 7 de abril), especialistas chamam a atenção para a importância de olhar com mais atenção para os desafios enfrentados pelos adolescentes.
“O bullying é uma agressão invisível e muitas vezes subestimada. A escuta ativa e o apoio psicológico são fundamentais para detectar esses sinais de sofrimento e fornecer o suporte necessário para que o jovem se sinta acolhido”, explica a educadora Carolina Delboni, autora do livro “As Dores da Adolescência: Como entender, acolher e cuidar”. Na obra, ela propõe uma reflexão sensível sobre o sofrimento emocional dos jovens, convidando pais, educadores e a sociedade a desenvolverem uma escuta mais empática.
Carolina ressalta que a violência nas escolas se camufla sob risos, piadas e exclusões, de enorme intensidade e alcance. Com o advento das redes sociais e plataformas digitais, o bullying foi ampliado e se tornou uma ameaça constante, que não se limita mais aos portões das escolas, mas invade grupos de WhatsApp, redes sociais e até espaços de jogos online. “O que antes era um problema restrito ao ambiente escolar, hoje tem um megafone, amplificando ainda mais seu impacto”, diz a autora.
Quase 10 mil suicídios de jovens entre 10 e 19 anos foram registrados, entre 2012 e 2021, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o que reforça a urgência de adotar medidas para combater essa violência. Isso passa por uma maior conscientização sobre o tema e a implementação de políticas públicas de prevenção para proteger os jovens e promover ambientes escolares saudáveis. “A educação é a chave para interromper esse ciclo de violência”, ressalta a autora, que sugere medidas preventivas eficazes, entre as quais:
- Criação de políticas claras contra o bullying e canais de denúncia anônimos;
- Capacitação de educadores para identificar e intervir em casos de bullying;
- Campanhas contínuas de conscientização sobre empatia e respeito;
- Parcerias com profissionais de saúde mental para oferecer suporte aos estudantes;
- Envolvimento das famílias na construção de uma cultura de paz.
Carolina defende a importância de uma abordagem personalizada para cada escola, considerando seu contexto único. Além das ações preventivas, ela destaca que os sinais de alerta devem ser observados de perto por pais e educadores. Mudanças bruscas de comportamento, como isolamento, agressividade ou queda no desempenho escolar, são indícios de que algo não está bem. O apoio emocional e psicológico é essencial para garantir que os adolescentes não enfrentem esse sofrimento sozinhos, conclui a educadora.
Canguru News
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