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Meningite pode matar em poucas horas, mas só 19% dos pais sabem disso, aponta pesquisa
A meningite meningocócica é considerada uma doença grave pela maioria dos pais brasileiros, mas muitos ainda desconhecem um dos aspectos mais preocupantes da infecção: o fato de que ela pode evoluir muito rapidamente e levar à morte em poucas horas. É o que mostra uma pesquisa global realizada pela Human8, a pedido da GSK. No Brasil, 89% dos pais entrevistados reconhecem a gravidade da doença, mas apenas 19% sabem que ela pode se tornar fatal em poucas horas.
Entre adolescentes e jovens adultos de 15 a 25 anos, o desconhecimento é ainda maior: apenas 10% sabem que a meningite meningocócica pode evoluir tão rapidamente. O levantamento também revelou uma espécie de “amnésia vacinal”: 1 em cada 4 jovens brasileiros (25%) não sabe se já tomou a vacina contra a doença.
A pesquisa ouviu 1.001 pessoas no Brasil, sendo 501 pais de crianças de 0 a 18 anos e 500 jovens de 15 a 25 anos. Ao todo, foram 6.003 participantes em seis países. Os dados foram coletados entre 20 de maio e 12 de junho de 2026.
Sintomas que enganam
Um dos motivos para a doença ser difícil de reconhecer no início é que seus primeiros sinais podem se confundir com os de outras infecções. Febre, dor de cabeça e vômitos estão entre os sintomas iniciais. A pesquisa mostrou que 21% dos pais acreditam que a meningite já começa com sintomas graves e evidentes.
“A meningite meningocócica pode começar com sintomas parecidos a outras infecções e progredir extremamente rápido, deixando pouco tempo para agir. Esses achados mostram a necessidade de maior conscientização sobre seus sinais e sintomas, a importância de buscar atendimento médico urgente quando necessário e conversas informadas sobre medidas preventivas, que podem incluir vacinação quando recomendada”, afirma Rodrigo Nascimento, diretor médico de Vacinas da GSK Brasil.
O você precisa saber sobre a meningite meningocócica?
A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo. A infecção provoca inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode deixar sequelas permanentes, como perda auditiva, danos neurológicos e perda de membros.
O levantamento mostra que essas possíveis consequências também são pouco conhecidas. Menos da metade dos pais entrevistados (44%) sabe que a doença pode provocar problemas de equilíbrio ou coordenação, enquanto apenas 32% a associam à perda auditiva.
A pesquisa aponta ainda uma lacuna importante entre adolescentes e jovens adultos. Apenas 29% dos pais e 24% dos jovens entrevistados reconhecem adolescentes e jovens adultos como grupos recomendados para a imunização contra a meningite. O resultado ajuda a explicar por que tantos jovens não sabem sequer se estão protegidos.
“Fazer com que o conhecimento se traduza em ação é um desafio que o Dia Mundial da Meningite, 5 de outubro, traz à tona. A grande maioria das famílias brasileiras não sabe que estamos lidando com uma infecção que evolui de um mal-estar inespecífico para o risco de óbito ou sequelas irreversíveis em menos de 24 horas”, explica Nascimento.
Brasileiros apoiam a vacinação, mas ainda há dúvidas
Apesar das lacunas de informação, os brasileiros demonstram uma atitude bastante favorável à vacinação. Entre os países participantes, o Brasil foi o que apresentou maior apoio: 96% dos entrevistados afirmaram que se vacinar é a coisa certa a fazer, acima da média global de 86%.
Os profissionais de saúde também aparecem como uma das principais referências para as famílias. Segundo a pesquisa, 95% dos pais e 93% dos jovens confiam nesses profissionais para obter informações sobre vacinas.
Ainda assim, uma certa postura passiva contribui para deixar dúvidas sem resposta: 30% dos pais de crianças não vacinadas dizem esperar que a vacinação contra meningite seja discutida durante uma consulta médica.
A inteligência artificial também já entrou nesse cenário. 22% dos pais dizem buscar informações sobre vacinas em ferramentas de IA. Entre os jovens que usam esse recurso, 43% afirmam que o utilizariam para decidir se os sintomas da doença são urgentes antes de procurar um hospital.
Sorogrupo B ganhou destaque no Brasil
O alerta sobre a falta de informação acontece em um momento de mudança no perfil da meningite meningocócica no país. Segundo dados do Ministério da Saúde citados no levantamento, a partir de 2023 o sorogrupo B passou a ser o mais prevalente no Brasil.
Atualmente, existem no país imunizantes diferentes para a proteção contra cinco sorogrupos da meningite meningocócica: A, B, C, W e Y. A vacinação é apontada no material como a forma mais efetiva de prevenção.
O resultado da pesquisa reforça a importância de saber que os sintomas podem começar de forma pouco específica e evoluir mais rápido do que se imagina. Por isso, buscar atendimento e manter a carteira de imunização em dia são pontos importantes de prevenção e cuidado.
Canguru News
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