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Você leva o seu filho ao supermercado?
Muitos educadores financeiros dão uma dica infalível para diminuir os gastos domésticos: não levar o filho ao supermercado.
Não concordo com esta dica. A educação financeira dos filhos deve ser trabalhada no dia a dia, no cotidiano das famílias. E quer situação mais cotidiana do que ir ao supermercado? Todas as famílias, não importando a classe social, precisam ir ao supermercado. E ele pode se transformar em uma excelente sala de aula para trabalharmos com os nossos filhos os pilares de uma boa educação financeira.
Tudo pode começar antes mesmo de se chegar ao supermercado. Os filhos podem ajudar na elaboração da lista de compras, hábito extremamente saudável. Os menores podem ajudar a verificar o estoque doméstico. Os maiores podem tomar nota dos itens que precisam ser comprados.
Além de levantar aquilo que precisa ser adquirido, a lista de compras nos permite introduzir um conceito importante: a diferença entre querer e precisar. A maior parte dos itens comprados serão os que precisamos, mas pode haver um espaço para alguns gastos com os desejos.
Aqui em casa, quando a Duda era bem pequena, fizemos um combinado com ela. Fora da lista da família, ela podia escolher uma coisa no supermercado, desde que não fosse cara. Esta condição era para evitar que ela escolhesse algo inadequado para sua idade ou realmente caro. E chegando ao supermercado, ela parecia uma baratinha tonta. Ia de um lado para outro e voltava com duas, três coisas. E dizia para mim que já tinha escolhido o que queria. Lembrava a ela, então, que o combinado era somente uma. Ela insistia com todo o charme da idade. Mas eu ficava firme. E por que não cedia? Pois o principal motivo daquele combinado era permitir que minha filha experimentasse uma das mais importantes e repetidas ações de nossa vida: escolher. Escolher não é algo fácil, uma vez que devemos deixar de lado algo que também queríamos. É algo doloroso. Mas tão necessário ao longo de nova vida. E ela foi aprendendo pouco a pouco a fazer suas escolhas. Onde? No supermercado.
Algumas vezes também precisávamos descartar algo em virtude do preço. A Duda aceitava bem. Até que depois de ter tido uma aula sobre supermercado na escola, ela pedia para levar o produto até um leitor de código de barras. Ela falava então:
– Papai, é somente oito zero zero. É barato!
Foi a senha para pouco a pouco irmos introduzindo os conceitos de caro e barato. E eles vão bem além do simples preço do produto. Caro é aquilo que tem um alto custo tendo em vista o benefício do produto e mesmo o padrão possível de consumo da família. Barato é algo que tem um baixo custo diante dos benefícios do produto.
E você, tem aproveitado suas idas ao supermercado?
Leia também: Crianças de até 12 anos são as que mais gastam com compras
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Carlos Eduardo Costa
Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda e do João Pedro. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro
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