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‘A comunicação entre pais e filhos nunca precisou ser tão certeira como agora’, diz Patrícia Nolêto
Como a pandemia impactou a convivência em família? Que benefícios e/ou prejuízos trouxe às relações entre pais e filhos? Essas são perguntas que a série “Lições de Pandemia” tem feito aos colunistas da Canguru News. Esta semana, conversamos com a psicóloga mineira Patrícia Nolêto de Campos, mãe da Clara, 4 anos. Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental – que busca identificar padrões de comportamento, pensamento, crenças e hábitos que estão na origem dos problemas – ela trabalha há mais de 19 anos com psicologia clínica para atendimento de adultos e crianças. Em maio deste ano, se tornou colunista da Canguru News, trazendo reflexões importantes sobre este momento de pandemia, bem como sugestões a mães e pais para lidar com os desafios em família. “As famílias que escolheram ser realmente um time estão conseguindo chegar ao fim desse “campeonato” não com o primeiro lugar, mas com orgulho da história que construíram juntos”, avalia ela. A seguir, ela fala mais sobre o assunto. Confira!
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1. Como a pandemia e o isolamento afetaram a sua família? Destacaria algo de positivo?
A pandemia trouxe impacto em diversos aspectos na minha família. Tivemos de adaptar nossa rotina, redividir tarefas e principalmente rever prioridades. Com menos rede de apoio, fomos obrigados a encontrar um jeito da vida continuar funcionando da forma mais leve possível. Foi importante para nós entender que a cada semana precisávamos avaliar o que tinha funcionado bem e o que não tinha e assim fazer o plano da semana seguinte. A nossa comunicação nunca precisou ser tão certeira como agora. Isso foi essencial para manter uma boa conjugalidade e uma boa parentalidade.
2. Como psicóloga, como avalia o impacto da pandemia nas famílias e nos relacionamentos entre pais e filhos?
Como psicóloga vejo várias mudanças na relação pais e filhos. Os pais precisaram se responsabilizar mais em todos os aspectos: atividades de casa, da escola e tempo com os pequenos. Passaram a ser praticamente a única fonte de afeto dos filhos e suprir emocionalmente as crianças se tornou um desafio para muitas famílias. Isso exigiu que os pais estivessem mais disponíveis e, diante desse cenário, conseguir equilibrar bem os nossos “pratinhos” nunca fez tanto sentido. Os pais precisaram estar mais atentos às emoções das crianças e, para se conectar com elas, precisaram primeiro se conectar com eles mesmos.
3. O que podemos destacar de positivo e negativo desta situação? As famílias puderam se reinventar?
Desde o início dessa pandemia, falei muito do modo sobrevivência, que ainda estamos vivendo, e de todas as lições que esse novo
momento nos trouxe. Para mim, a palavra que mais me marcou foi a flexibilidade. Precisamos ser flexíveis, adaptáveis e criativos para não adoecer. Também aprendemos a focar no hoje, a viver o agora e a fazer o que temos de fazer da melhor maneira possível no momento. Foi preciso abrir mão de certas coisas, definir as prioridades, cuidar uns dos outros e ser cada vez mais responsáveis pelo nosso próprio bem estar. Tudo isso é fácil? Não! Mas vejo que as famílias que escolheram ser realmente um time estão conseguindo chegar ao fim desse “campeonato” não com o primeiro lugar, mas com orgulho da história que construíram juntos. Cansados, mas felizes!
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Verônica Fraidenraich
Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. Tem um filho, Martim, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.
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