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Grupo 764: se você tem um pré-adolescente ou adolescente em casa, precisa saber o que é isso
Nos últimos meses, um nome estranho começou a circular em reportagens e alertas de especialistas em segurança digital: 764. Pais e educadores ficaram de cabelo em pé e com toda a razão! O chamado 764 não é um grupo “tradicional”, que tem uma sede ou líderes visíveis. Ele funciona como uma rede descentralizada na internet, formada majoritariamente por adolescentes e jovens, organizados em fóruns, servidores privados e aplicativos de mensagem.
O que une essas pessoas não é uma causa política clara, mas um culto à violência, ao sofrimento e à transgressão, que pode incluir práticas como incentivo à automutilação, abuso psicológico, chantagem emocional e, em alguns casos, planejamento de atos violentos. Autoridades e pesquisadores classificam o fenômeno como extremismo violento online, com características de terrorismo doméstico juvenil.
Quem morde a isca
Especialistas apontam que o recrutamento de jovens para participar ou ampliar a rede costuma acontecer em momentos de fragilidade emocional. Jovens que se sentem sozinhos, excluídos, que sofreram bullying ou que passam longos períodos em ambientes online sem supervisão podem ser alvos mais fáceis. O discurso começa, muitas vezes, com acolhimento e senso de pertencimento. Quem está carente, morde a isca, que, inicialmente, parece preencher um vazio, de forma satisfatória.
Aos poucos, porém, a história muda. Começam a surgir exigências, testes de lealdade e dinâmicas de humilhação. O que parecia comunidade vira controle. O que parecia brincadeira vira medo. O sofrimento passa a ser normalizado como parte da identidade do grupo.
O 764 é preocupante porque não fica apenas no campo simbólico. Investigações internacionais já apontaram conexões entre membros dessas redes e ameaças reais, incentivo ao suicídio, crimes de ódio e violência contra outras pessoas. Mesmo quando não há um ataque concreto, o impacto psicológico sobre os adolescentes envolvidos pode ser profundo e duradouro.
Além disso, o caráter fragmentado e mutável dessas comunidades torna a identificação difícil. Por isso, é importante que adultos que convivem com crianças e adolescentes não os negligenciem. Pelo contrário: é indispensável prestar atenção no cotidiano, supervisionar o uso de telas e, sobretudo, dialogar, demonstrar interesse, saber o que se passa, em vez de simplesmente aceitar que esse adolescente fique no quarto e nas telas o tempo inteiro. Não, isso não é “só fase” ou “só coisa de adolescente”. Nem sempre.
Algumas mudanças podem indicar que algo não vai bem. Os sinais de alerta mais comuns são:
- isolamento social intenso
- alterações bruscas de humor
- linguagem violenta ou desesperançada
- consumo frequente de conteúdo gráfico ou perturbador
- uso excessivo e secreto de plataformas digitais
- falas sobre não sentir nada, desaparecer ou se machucar
Nenhum sinal, isoladamente, confirma envolvimento com grupos extremistas, mas o conjunto pede escuta e cuidado. O objetivo não é criar um alarme que paralisa e sim mostrar o que existe, para que as famílias saibam com o que podem estar lidando.
O que os pais podem fazer?
A resposta não é vigiar em silêncio, nem proibir sem conversa. As principais recomendações dos especialistas em tecnologia e segurança na internet são:
- Manter um diálogo aberto, sem julgamento, para que o jovem se sinta seguro em falar
- Ter e demonstrar um interesse real pelo universo digital da criança ou do adolescente
- Buscar apoio profissional, como psicólogos ou orientadores escolares, quando necessário
- Acionar redes de proteção e autoridades em situações de risco iminente
No Brasil, conteúdos que incentivam violência, automutilação ou abuso podem ser denunciados à SaferNet Brasil, que orienta famílias e encaminha casos graves.
Grupos como o 764 se alimentam do silêncio, da solidão e da falta de escuta. Falar sobre o tema não é espalhar medo, mas criar proteção. Em um mundo cada vez mais digital, cuidar da infância e da adolescência é também entender os riscos invisíveis e reforçar aquilo que mais protege: vínculo, presença e conversa.
Canguru News
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