Grupo 301 no WhatsApp: “Meu filho foi colocado sem convite”

Mãe relata choque ao descobrir que criança de 11 anos havia sido inserida em grupo de mensagens com conteúdo explícito
Criança no celular Foto: Freepik

O alerta sobre o chamado “Grupo 301 – Adicione todo mundo que conhecer” começou a circular pela internet. Algumas escolas particulares chegaram a enviar comunicados às famílias, para que checassem os celulares das crianças e dos adolescentes. A mãe, Danila Bernardi, enviou um depoimento ao Canguru News, contando como descobriu que o filho dela, André, de apena 11 anos, havia sido incluído neste grupo.

“A gente já tinha muita preocupação com chats de jogos online, com essa exposição em TikTok, enfim, nas redes sociais, de uma forma geral, e, infelizmente, agora veio mais essa, dos grupos de WhatsApp”, diz ela. De acordo com Danila, André não recebeu convite para entrar no grupo, mas foi inserido nele, onde se deparou com conteúdo inadequado.

“Ele veio me falar dessa situação que apareceu para ele no WhatsApp, com conteúdo explícito de situações que não cabem à idade dele. Eram imagens de pessoas nuas e até vídeos. Nenhum conteúdo era apropriado para a idade”, relata.

Danila com o filho André que foi adicionado ao grupo 301
Fonte: Arquivo pessoal

A mãe afirma que, além do material inadequado, havia incentivo para que as crianças adicionassem mais contatos e evitassem incluir os responsáveis. “Eram mensagens instigando a colocar mais pessoas conhecidas, mas não incluir os pais, porque era para assuntos aleatórios, ‘para divertir’. Enfim, mais uma preocupação em nossas vidas”, diz ela.

Danila também recebeu o comunicado sobre o assunto da escola particular que André frequenta, mas só soube da situação porque mantém um diálogo aberto com o filho. “Aqui em casa, a gente conversa muito sobre isso. Eu acho que a conversa é o melhor caminho, porque assim que ele chegou em casa, já veio me falar, preocupado”, relata.

Ela também destaca a dificuldade em identificar quem criou o grupo. “A gente não consegue ver os administradores desse grupo. É impressionante! Não sei como eles conseguem manipular as redes. Mas dá para denunciar e foi isso que fiz”, diz Danila.

Para a mãe, o episódio reforça a importância da vigilância e do acompanhamento. “Só aumenta ainda mais o alerta, a responsabilidade e o acompanhamento que a gente tem que ter com relação ao uso do celular e das redes sociais como um todo”, defende. Ela também reforça o papel da conversa como ferramenta de proteção. “Acho que eles já estão muito mais preparados do que a gente estava nessa idade para ter essas conversas abertas. Eles precisam disso. Acho que é essencial para a educação. Fica o alerta para todos”, completa.

O que é o Grupo 301?

O “Grupo 301” funciona como uma corrente no WhatsApp em que participantes são incentivados a adicionar “todo mundo que conhecer”. Com isso, o grupo cresce rapidamente e passa a reunir centenas de desconhecidos, incluindo crianças e adolescentes. Sem controle sobre quem entra ou sobre o conteúdo compartilhado, esses espaços podem expor menores a material impróprio, contatos com estranhos, links suspeitos e situações de cyberbullying.

Como os pais podem agir?

A recomendação é para que os responsáveis conversem com os filhos, verifiquem periodicamente os grupos do WhatsApp e orientem a sair imediatamente de qualquer grupo com desconhecidos ou conteúdo inadequado. Também é importante explicar que não é seguro adicionar pessoas aleatórias e combinar que a criança avise sempre que for incluída em um grupo novo.

Mais do que proibir, manter o diálogo aberto, como fez Danila, é uma das formas mais eficazes de proteção.

Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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