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Fimose nos meninos: maioria dos casos não exige cirurgia; saiba mais
Você já deve ter ouvido falar da fimose, problema que acomete os meninos e que se caracteriza pelo excesso de pele recobrindo a glande – cabeça do pênis – dificultando a sua exposição e a limpeza do local. Essa condição se forma ainda na fase fetal, sendo comum na maioria dos meninos, porém, tende a desaparecer com o tempo. Segundo o Ministério da Saúde, aos seis meses de idade, 20% das crianças já apresentam a pele retrátil, o que significa que a pele consegue se soltar da glande. Aos três anos, cerca de 50% dos meninos já o retraem facilmente, e aos cinco anos isso ocorre em 90% dos meninos. “A retração total pode demorar até a puberdade (a masturbação se encarrega) em cerca de 5% dos meninos”, explica o pediatra Daniel Becker, do Rio de Janeiro, em post sobre o assunto em suas redes sociais.
Ainda assim, muitos pais ficam preocupados quanto a se o excesso de pele, conhecido como prepúcio, vai realmente se descolar da glande e se isso não vai trazer algum problema à criança como a infecção da pele. No entanto, os médicos ressaltam que em muitos dos casos não é necessária intervenção cirúrgica ou tratamento específico, tendo em vista que a condição pode se resolver naturalmente com o passar do tempo. Cabe ao pediatra avaliar caso a caso.
Para identificar se a criança possui fimose, deve-se puxar com as mãos a pele que cobre a cabeça do pênis. Facilmente, será possível perceber se a glande será completamente descoberta ou se algumas partes da pele ficam cobrindo a glande.
Daniel Becker diz que na maioria dos casos não há qualquer necessidade de intervenção na pele da criança. Seja cirúrgica, massagens ou exercícios. De acordo com o pediatra, as cirurgias são indicadas apenas em casos de infecção urinária, infecções repetidas, balonamento – casos extremos de fimose, quando o xixi fica retido na bolsa do prepúcio antes de sair – ou até mesmo, em rituais comuns praticados por judeus e muçulmanos.
Para o médico, os familiares devem, nos bebês, retrair a pele em direção ao púbis, mas sem forçar, e higienizar normalmente. Também vale deixar a criança mexer no pênis sozinha, como uma brincadeira, em banho morno.
“Fazer ”massagem” ou “exercício” para abrir a fimose é o pior erro. Pode causar microtraumatismos, com dor e inflamação, levando a uma piora do estreitamento”, comenta Becker.
O cirurgião pediátrico Elber Nordi, do Centro Pediátrico Eludicar, em São Paulo, informa que no caso de dúvidas e suspeita de fimose, os familiares devem procurar um especialista. “Essa avaliação é muito importante para poder diferenciar entre a presença do acolamento, quando a pele que recobre a glande é apenas colada, e a fimose, quando há uma dificuldade de expor a glande pela presença de um anel constritor”, comenta o cirurgião.
O Ministério da Saúde indica a cirurgia simples apenas em casos que a fimose persiste após a adolescência. Para o ministério, é necessária a retirada por dificultar a higiene do local, causando dor, inflamação, problemas no desempenho sexual quando adulto, infecção urinária e até câncer no pênis.
Elber tranquiliza os pais e diz que eles não devem se preocupar quanto à gravidade da doença. “O melhor é consultar o médico que acompanha seu filho e poderá orientá-lo adequadamente”, finaliza o médico.
Leia também: 5 dicas para responder às difíceis perguntas das crianças sobre sexo
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Gabriela Willer
Jornalista formada pela UFRRJ, colaborou com diversos veículos de comunicação, inclusive, a revista Canguru News, em 2017 e 2018. Tem também experiência em fotografia e audiovisual. Antirracista, foca seus trabalhos na temática de raça e gênero. Acredita que a mudança acontece a partir da educação.
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