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Eu não dizia ‘eu te amo’ para o meu filho
Por Fernanda Barbosa

MEU FILHO NASCEU de uma mãe que não sabia dizer “eu te amo”. Isso me doía. O “eu te amo, meu filho” ficava em meus pensamentos enquanto eu o ob-
servava, mas nada de verbalizar.
Alguns diriam que era falta de sensibilidade, mas não era. Eu estava à flor da pele, como qualquer mãe apaixonada por seu primeiro rebento. Outros diriam que era culpa da minha mãe – de fato, ela não era muito de dizer “eu te amo”. Minha mãe gostava de escrever bilhetes. Mas, puxa vida, eu não era a minha mãe!
Então decidi que seria uma mãe que verbalizaria os sentimentos. Meu filho e eu tínhamos direito a essa verbalização. Tentei, tentei. Não saía. Eu travava na hora de dizer “eu te amo, filho”. Mas eu queria dizer, porque era aquilo que estava sentindo em cada célula do meu corpo.
Então passei a observar meu marido. Ele distribuía “eu te amo” como quem fala “bom dia”. Passei a copiar os gestos dele – “ele segura firme a cabecinha do bebê, olha nos olhos e fala”, “veja como fala repetidas vezes olhando firme pro meu pequeno”… Eu achava aquilo incrível. Copiei.
No começo copiei os gestos, a forma de segurar meu bebê e olhar nos olhos. Depois comecei a usar o que queria afirmar, mas na forma de pergunta: “Sabia que a mamãe ama você?”. Não demorou muito, eu estava dizendo “eu te amo”. E como essa frase foi libertadora! Passei a falar o tempo todo, e era sempre muito profundo e sincero – aquilo que eu tinha aprendido quando criança, que “eu te amo” demais pode soar falso, já não me fazia o menor sentido.
Devemos estar atentas às necessidades dos nossos filhos.
Muitas mães sentem-se à vontade para dizer “eu te amo” de outras formas. Somos seres únicos, que se expressam de forma única – não há certo ou errado. Também há crianças que necessitam de uma dose maior ou menor de atenção e carinho. Há crianças que precisam, sim, que a mãe demonstre mais explicitamente seu amor. Devemos estar atentas às necessidades de nossa família, dos nossos filhos, respeitar nossos valores e a forma como os expressamos.
Como coach de famílias, ajudo pais e mães em busca da tão sonhada harmonia familiar. Vemos filhos cada vez mais distantes, presos a telas de celulares computadores. E pais cada vez mais ansiosos, querendo manter algum vínculo significativo com os filhos.
Para pais e mães que desejam reavivar esse diálogo, sugiro imitar. Isso mesmo! Imite alguém que se expressa da forma como você gostaria. Quais são as palavras e os gestos usados por ela ao se comunicar com o filho? Finja que é a pessoa até conseguir agir como a pessoa age. A recompensa pode ser incrível!
Fernanda Barbosa é coach de família no Enquanto Eles Crescem. Atende pais, mães e filhos com problemas de ordem prática ou emocional. Acompanhe seus vídeos semanais pelo YouTube, pelo Instagram ou pelo Facebook através do endereço @enquantoelescrescemrj.
Canguru News
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