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Ser pai (não) é uma questão de escolha
Certa vez, estava tomando um café com um amigo e ele me disse: “Eu amo ser pai, eu escolhi isso pra mim”. Na hora eu pensei: “Eu também fiz essa mesma escolha”. E ficamos ali, por alguns minutos conversando sobre como era nossa atuação com nossos filhos. Nós dois, orgulhosos e batendo no peito da escolha que tínhamos feito.
Minha mulher estava comigo na mesa e na hora não comentou nada. Chegando em casa ela me disse:
‒ Você consegue perceber que para a mulher a maternidade não é uma escolha? Nós não temos essa opção.
Aquela frase mexeu comigo e eu fiquei alguns dias pensando nesse assunto, até que resolvi pesquisar números e estatística de pais que abandonam seus filhos e fiquei, de certo modo, assustado com os dados que encontrei.
Para se ter uma ideia do tamanho do problema, segundo dados do Conselho Nacional da Justiça, essa é uma realidade que atinge mais de 5 milhões de brasileiros. Crianças que sequer possuem o registro dos pais nas suas respectivas certidões de nascimento. Apenas no primeiro semestre de 2020, mais de 80 mil crianças foram registradas sem o nome do pai, de acordo com a Central Nacional de Informações do Registro Civil.
Sem contar que não entram para essa estatística aqueles pais que até registram seus filhos(as), mas sua participação na criação e no acompanhamento de toda a fase de crescimento da criança, é praticamente nula.
Estes dados são também alarmantes se consideramos que a figura do pai é de suma importância na formação do caráter e do comportamento futuro dos seus filhos e suas filhas. Por mais que a mãe exerça com ainda mais empenho o seu papel, tentando arduamente compensar a ausência do pai, nada substitui a presença paterna nessa relação e os possíveis danos causados para estas crianças só serão, efetivamente conhecidos, no futuro.
Fato é que o abandono paterno é uma realidade para milhares de famílias no país. E essa é a consequência para alguns homens que creem que ser pai é uma questão de escolha, quando, na verdade, essa é uma questão de “não-escolha”, ser pai não pode ser uma opção.
E você, de que lado está?
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Fernando Dias
Fernando Dias é pai da Duda e da Gabi, e padrasto do João. Trabalha como administrador de empresas, palestrante, escritor e fundador do curso “Vou ser pai. E agora?”. Saiba mais sobre ele em @conexaopaterna e no site www.vouserpai.com.br
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