Distúrbios do sono são realidade entre os pequenos; conheça os mais comuns

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Por Daniele Franco – Deita, rola, levanta, deita de novo e, quando se vê, já está amanhecendo. Essa é a realidade de muitos adultos que sofrem de insônia ou algum tipo de distúrbio do sono. Os pequenos também podem ter suas noites de descanso atrapalhadas por motivos que nem sempre são tão dignos de preocupação, mas exigem nossa atenção.

Observar o sono das crianças é uma tarefa que os pais devem se preocupar em cumprir a partir do momento em que forem notados alguns sinais (veja na lista abaixo), conforme ressalta a neuropediatra do Instituto Estadual do Cérebro e professora da Faculdade Souza Marques, ambos no Rio de Janeiro, Gilca Soares. De acordo com ela, mesmo que a criança não apresente sinais durante à noite que sejam suficientes para acordar os pais, alguns aspectos da criança durante o dia podem ser característicos de noites mal dormidas.

Atenção a estes sinais:

  • Desatenção e indisposição
  • Olheiras e cansaço aparente
  • Dificuldade de aprendizado
  • Dificuldade para se alimentar
  • Agitação, mau humor, resistência a fazer as tarefas escolares

Se essas características são observadas enquanto a criança está acordada, é hora de prestar atenção ao sono dela. Alguns dos problemas fazem parte da fase pela qual a criança está passando, a exemplo do terror noturno e do sonambulismo, como explica Rogério Beato, neurologista, médico do sono e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. São as chamadas parassonias, ou distúrbios fisiológicos do sono, que não são considerados doenças (conheça as mais comuns abaixo). Mesmo que sejam casos simples e que em sua maioria diminuam com a idade, Beato recomenda que sejam observados para verificar a necessidade de acompanhamento médico.

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Quando fica mais sério

Para além das parassonias, alguns distúrbios merecem maior cuidado dos pais. A apneia do sono é um deles. Lucila Bizari Fernandes do Prado, presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria e professora do setor de Neuro-sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta os problemas respiratórios como as principais causas das crises de apneia. Amígdalas e adenoide hipertrofiadas obstruem o canal por onde passa o ar e levam o diafragma a fazer um grande esforço, causando, ainda, problemas no tórax. “Durante o dia, o sistema neurológico encontra maneiras de respirar normalmente, mas durante o sono ele também dorme, e sobra para o diafragma fazer o esforço com todos os impedimentos”, afirma Lucila.

Nesses casos, o profissional indicado para consulta é o otorrinolaringologista, que vai examinar e avaliar a necessidade de uma cirurgia de retirada das amígdalas e da adenoide. A partir daí, começa um tratamento multidisciplinar, no qual trabalham fonoaudiólogo, psicólogo, médico e dentista.

Beato ainda aponta características faciais e a estrutura óssea do rosto como influências na respiração. “Crianças com síndrome de Down, por exemplo, têm maior tendência a sofrer de apneia por possuírem o queixo e a língua com um formato diferente, o que dificulta a respiração”.

Outro problema que merece atenção profissional é a epilepsia, que, em alguns casos, pode manifestarse durante o sono. A privação do sono também pode ser um fator que desencadeia crises epiléticas nas crianças que já têm a doença, de acordo com Beato. Ainda segundo ele, é importante que, se forem notadas anomalias durante o sono, os pais procurem um médico para fazer uma polissonografia, um exame que analisa o comportamento da criança durante a hora de dormir e, se necessário, a polissonografia completa, que inclui um exame neurológico que diagnostica a epilepsia.

DENTRO DA NORMALIDADE

Conheça as médias de sono de cada fase da infância:

Até 3 meses: 16 a 20 horas por dia
12 meses até 3 anos: Entre 9,5 horas e 10,5 horas, com cochilos de dia
3 a 6 anos: Sono noturno com 9 a 10 horas, às vezes com cochilos
6 a 12 anos: 9 e 10 horas de sono, sem os cochilos

Neném não quer dormir

“Quando chegam ao consultório queixas de crianças com insônia, a maioria delas não é associada a nenhum tipo de distúrbio”, conta Gilca Soares, que aponta os maus hábitos como os principais causadores da dificuldade de dormir dos pequenos. Se a rotina da família é confusa, ela pode levar à falta de limites das criança na hora de dormir, o que faz com que os pais procurem medicamentos para elas sem necessidade. Por isso, ter horários definidos é fundamental para o descanso ideal de todos.

Quando as famílias só têm o período noturno para ficar juntas, é difícil esperar que os pequenos queiram ir cedo para a cama. “Mas não se pode colocar esse peso sobre os pais, que não têm culpa de só ter esses horários para estar com os filhos”, pondera Gilca. “A solução é procurar atividades mais calmas nos momentos juntos“, diz a neuropediatra. Ela compara as crianças a dimers de luz, que devem ser menos estimulados à medida que a hora de dormir chega, sem desenhos na TV, contato com tablets e smartphones ou atividades que as despertem. De acordo com Gilca, diferir o patológico do natural é muito delicado e precisa de uma observação atenta e cuidadosa. Até mesmo para os profissionais o diagnóstico não é fácil.

É HORA DE SE PREOCUPAR?

Parassonias primárias não estão associadas a distúrbios mais graves, mas as secundárias devem ser tratadas por um profissional de saúde. Veja abaixo as parassonias mais comuns em crianças que devem ser relatadas ao pediatra.

›› Terror noturno
›› Sonambulismo
›› Sonilóquio (falar enquanto dorme)
›› Síndrome das pernas inquietas
›› Pesadelos
›› Enurese noturna (fazer xixi na cama)
›› Despertar confusional

Fontes: Dr. Rogério Beato, Dra. Gilca Soares e Dra. Lucila Bizari

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