Dia do Leitor: 5 atitudes simples que estimulam as crianças a gostarem de ler

“A leitura cria um território de encontro e delicadeza, onde palavra, escuta e afeto caminham juntas, e onde o pensamento encontra espaço para crescer”, afirma a especialista em leitura, Malu Carvalho. Aqui, ela compartilha dicas para que as famílias incentivem esse hábito desde cedo
Crianças leem em média 7,27 livros por ano
Foto: Freepik
Crianças leem em média 7,27 livros por ano Foto: Freepik

Celebrado em 7 de janeiro, o Dia do Leitor convida famílias e educadores a olharem com mais cuidado para a formação de leitores desde a infância. E os dados mostram que esse começo importa: segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, do Instituto Pró-Livro, crianças leem em média 7,27 livros por ano, sendo que a faixa dos 5 aos 10 anos é a mais engajada. De acordo com o levantamento, 38% delas leem por prazer.

No entanto, transformar a leitura em um hábito e em um prazer não tem sido uma tarefa tão simples. Os principais desafios para fomentar a leitura incluem a concorrência com dispositivos digitais e a ausência de incentivo contínuo no ambiente escolar, o que reforça o papel fundamental de famílias, escolas e organizações da sociedade civil.

Mas o que faz uma criança querer ler — e continuar lendo ao longo da vida?

Para Malu Carvalho, especialista em leitura do Grupo Eureka, a resposta não está em metas, listas obrigatórias ou cobranças precoces, e sim na experiência afetiva em torno do livro. Em entrevista exclusiva ao Canguru News, ela dá cinco dicas práticas que podem transformar a relação das crianças com a leitura:

  1. Transforme a leitura em encontro, não em tarefa

Ler junto é um gesto de presença. Quando a leitura acontece como tempo compartilhado, sem cobrança de desempenho ou “resposta certa”, ela vira espaço de troca, afeto e escuta. O livro deixa de ser obrigação e passa a ser companhia.

  1. Ofereça livros diversos e permita escolhas

Não existe um único caminho leitor. Diferentes gêneros, temas, formatos e linguagens ampliam o repertório e respeitam interesses individuais. Escolher o que ler é um passo essencial para a autonomia e para uma relação significativa com os livros.

  1. Valorize a leitura para além das palavras

Imagens, silêncios, gestos, memórias e experiências também são leitura. Antes mesmo de saber ler letras, a criança já lê o mundo. Reconhecer isso amplia o sentido do ato de ler e fortalece a confiança do leitor em formação.

  1. Crie ambientes leitores vivos e acessíveis

Livro bom é livro que circula. Estantes baixas, livros pela casa, cantinhos improvisados na escola ou na sala comunicam que a leitura faz parte da vida cotidiana.

  1. Converse sobre as leituras, sem buscar respostas prontas

Falar sobre um livro é prolongar a experiência. Perguntas abertas, comentários espontâneos e escuta atenta ajudam a construir sentidos juntos. Não é sobre concluir, mas sobre partilhar impressões, dúvidas e descobertas.

“Quando essa experiência se repete no cotidiano, a criança descobre que os livros não apenas divertem: eles acompanham, permanecem e ajudam a compreender o mundo e a si mesma”, resume Malu.

4 sugestões de livros para começar JÁ

Para colocar as atitudes em prática, Malu indica quatro títulos infantis e infantojuvenis que ajudam a compor uma biblioteca diversa e cheia de significado:

Vida em Marte, de Christian David e Flavio Soares (Editora Casa do Lobo) – Aventura em quadrinhos que mistura humor e ficção científica, acompanhando um menino nascido em Marte e uma capivara alienígena. Ideal para leitores curiosos e fãs de HQ.

Nós, de Victor Peres e Perez (Editora Eureka) – Uma história sensível sobre vínculos, crescimento e convivência, que fala de afeto e autonomia no tempo da infância.

A Minha Pessoa Preferida, de Kiara Terra (Editora Casa do Lobo) – Memória, imaginação e relação entre gerações se encontram em um livro delicado sobre presença e lembranças.

Os Barcos, de Eliandro Rocha e Alexandre Rampazo (Editora Casa do Lobo) – A partir das enchentes no RS em 2024, a obra aborda solidariedade e esperança pelo olhar infantil, com sensibilidade e cuidado.

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