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Dança inclusiva favorece a autoestima e a construção de vínculo entre os bailarinos
Quando minha filha tinha 4 anos, a escola mandou uma atividade para casa, perguntando o que ela queria ser quando crescer e ela respondeu: “Bailarina!” Lembro de naquele dia ter sentido um aperto no peito. Eu sabia que não seria fácil para uma menina com deficiência, comprometimento motor e pouco equilíbrio, dançar ballet.
Mas mãe é mãe, e comecei a procurar uma maneira de fazer aquele sonho se tornar uma realidade. Na minha busca, acabei encontrando o professor Jeremias Schaydegger, que tem um projeto de dança inclusiva na nossa cidade – o Gente. Ele começou a dar aulas particulares para Luisa e ela foi apresentando melhoras no equilíbrio, na resistência física, na flexibilidade, no tônus muscular e também na postura.
Alguns meses depois, ela conseguiu entrar numa turma com outras meninas da mesma idade. Além dos benefícios para o corpo, Luisa estava feliz e realizada e amava estar ali. Ela se apresentou por cinco anos no palco do teatro da cidade e sempre emocionava a plateia. Só parou porque teve que fazer duas cirurgias grandes no quadril.
Em 2019, foi a minha vez de subir ao palco para dançar com minha filha e com mais outras 18 pessoas com deficiência física e intelectual do projeto. Ao participar dos ensaios, pude sentir as transformações acontecendo em mim e nos outros participantes. Esse tipo de dança inclusiva constitui um elemento de transformação pessoal e social por permitir experiências e reflexões sobre a aceitação de diferentes corpos e vivências.
Com o professor Jeremias, todos sobem ao palco e podem dançar. A preocupação não é com coreografias e passos perfeitos, mas com o que cada aluno é capaz de fazer, com o envolvimento do grupo, o respeito à diversidade e com os sentimentos que a dança provoca. A arte, a musica, a dança criam uma sensação de bem-estar e trazem vários benefícios principalmente ao permitir e estimular uma maior integração entre as pessoas.
A pessoa com deficiência se sente parte do grupo. Na medida em que se dança junto, se constrói vínculos, relações e parcerias. Esse tipo de dança estimula o convívio social, a comunicação , ajuda a aprender a lidar com as diferenças e fazer novas amizades.
No Brasil, existem outros projetos que fazem esse trabalho de inclusão na dança como o desenvolvido pela bailarina e fisioterapeuta Fernanda Bianchini, que foi iniciado em 1995 com cerca de 10 alunas cegas e hoje é reconhecido mundialmente por um método pioneiro de ensino da técnica do ballet clássico a deficientes visuais.
Aprender a dançar ajuda a aprimorar a autoimagem, melhora a autoestima e estimula uma melhor consciência corporal. Quando dançamos, oportunizamos ao corpo novas experiências e comunicamos algo a quem assiste.
Com a minha experiência de mãe atípica e voluntária em um projeto de inclusão de pessoas com deficiência, eu te convido a dançar ou pelo menos assistir a um espetáculo desses. Você não sairá a mesma pessoa. A dança acolhe. Dançar cura.
Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
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