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Cuidados com a pele da criança no verão
Por Elisa Fontenelle Oliveira – É sempre importante lembrar de redobrar nossa atenção aos cuidados com a pele da criança no verão, já que se intensificam as atividades ao ar livre, com consequente aumento da exposição solar, e surgem preocupações com relação à sudorese excessiva e à exposição aos insetos.
A proteção solar não consiste apenas na aplicação de um bom filtro, mas em medidas que, tomadas em conjunto, incrementam essa conduta. A importância de se proteger da exposição solar excessiva se deve principalmente ao fato de sabermos que alguns cânceres de pele estão diretamente relacionados à exposição solar intensa e cumulativa durante a vida. E é na infância que essa exposição costuma ser mais comum.
As medidas gerais de orientação de fotoproteção devem incluir a escolha mais adequada do horário para atividades externas, preferindo antes das 10h ou após às 16h, além da procura por sombra, uso de bonés ou chapéus e, disponíveis hoje em dia, também de roupas com proteção ultravioleta. A aplicação do filtro solar nas crianças, de preferência com produto dirigido para essa faixa etária, deve ser feita a partir dos 6 meses de idade, antes da exposição solar e a cada 2 horas no máximo.
A sudorese excessiva nesse período pode causar desidratação, o que nos obriga a estar atentos ao oferecimento frequente de líquidos para ingestão. Também são comuns os quadros de miliária (brotoeja), que decorrem da irritação que o próprio suor causa na pele quando não consegue ser expelido da maneira adequada pela pele imatura, principalmente dos lactentes. Naqueles pacientes que têm dermatite atópica, um tipo de alergia na pele, essa sudorese exagerada pode contribuir para o agravamento do prurido (coceira) e da dermatite, localizada principalmente nas dobras. Dessa forma, as crianças devem ser mantidas em ambientes arejados e frescos.
A proteção solar não consiste apenas na aplicação de um bom filtro, mas em medidas que, tomadas em conjunto, incrementam essa conduta
Com relação às picadas de inseto, além do uso de repelentes adequados para a infância (já existem produtos disponíveis a partir dos 6 meses), podem auxiliar a vestimenta de roupas claras e a restrição ao uso de perfumes, principalmente florais, que podem atrair esses animais. Os repelentes não devem ser aplicados
na proximidade dos olhos ou da boca e nas mãos, para diminuir o risco de ingestão ou de irritação mucosa com o produto, nem antes de dormir, já que agem
através de uma camada de vapor sobre a pele. Quando se aplica um filtro solar e um repelente, este deve ser sempre o último a ser passado sobre a pele e se deve evitar as associações já comercialmente prontas de filtro solar e repelente num mesmo produto.
Elisa Fontenelle Oliveira é médica formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e com residência médica em dermatologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Também é assessora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e dermatologista Pediátrica do Instituto Fernandes Figueira – FIOCRUZ.
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