Crianças vegetarianas e veganas: o que pais precisam observar?

Meta-análise com quase 50 mil jovens aponta diferenças nutricionais, mas especialistas reforçam que, com planejamento e suplementação, dietas sem carne podem ser seguras na infância
Criança vegetariano Foto: Freepik

 

O receio de que uma alimentação sem carne possa prejudicar o desenvolvimento infantil ainda é comum entre muitas famílias. No entanto, um conjunto recente de pesquisas indica que crianças vegetarianas e veganas podem crescer de forma saudável, desde que a dieta seja cuidadosamente planejada e acompanhada por profissionais. A conclusão vem de uma meta-análise publicada na revista Critical Reviews in Food Science and Nutrition, que reuniu dados de dezenas de estudos sobre o tema.

Ao todo, os pesquisadores analisaram 59 estudos conduzidos em 18 países, avaliando 48.628 participantes com menos de 18 anos. Entre eles, havia 7.280 crianças ovolactovegetarianas (aquelas que não comem carne, mas consomem ovo, leite e derivados), 1.289 veganas (que não consomem nada de origem animal) e 40.059 onívoras (que consomem carne e vegetais). Foram examinados indicadores de crescimento, composição corporal e diversos biomarcadores influenciados pela alimentação.

Os resultados mostram diferenças importantes entre os grupos. Crianças ovolactovegetarianas, por exemplo, apresentaram menor ingestão de energia, proteína, gordura, vitamina B12, vitamina D e zinco em comparação às onívoras. Em contrapartida, consumiam mais fibras, ferro, folato, vitamina C e magnésio. Já entre os veganos, a ingestão reduzida de cálcio chamou atenção dos pesquisadores.

Segundo a nutricionista Bruna Stephany Carvalho, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Iris Rezende Machado (HMAP), a suplementação pode ser decisiva nesses casos. “O estudo aponta que a suplementação, especialmente em dietas veganas, mostra-se fundamental para garantir a ingestão adequada de micronutrientes essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento infantil”, avalia.

Crescimento e metabolismo
Quando os autores avaliaram crescimento e composição corporal, observaram que crianças vegetarianas e veganas tendiam a apresentar menor estatura e peso, com destaque para diferenças na massa óssea. Por outro lado, o perfil metabólico mostrou vantagens: níveis mais baixos de colesterol total e de LDL, o chamado colesterol “ruim”.

Na prática clínica, esses achados também aparecem. “A gente encontra várias convergências do que foi observado no estudo com nossa prática clínica. Por exemplo, observo frequentemente em consultório, especialmente em veganos, a deficiência de B12 sem suplementação adequada; também é comum ver ferritina baixa e pacientes com desaceleração da velocidade de crescimento”, relata a endocrinopediatra Jéssica França da Silva, também do HMAP.

Ainda assim, ela ressalta que esse cenário não é inevitável. “Com dietas bem planejadas, os pacientes podem manter parâmetros laboratoriais normais e, nesses casos, a informação é muito importante. Famílias com maior conhecimento nutricional e melhor adesão à suplementação tendem a ter melhores desfechos”, observa Silva.

Demandas mudam com a idade

As necessidades nutricionais variam conforme a fase do desenvolvimento infantil. “Até os 2 anos, que é uma fase de desenvolvimento neurológico acelerado, sobem as necessidades de ferro, zinco, vitamina B12 e ômega-3”, explica a endocrinopediatra. “Já a partir dos 5 anos, na fase escolar, temos picos de crescimento com demandas aumentadas de cálcio, ferro e proteínas de alto valor biológico. Por isso, o acompanhamento deve ser próximo”, acrescenta.

O que merece atenção

Apesar dos cuidados necessários, especialistas destacam que dietas baseadas em vegetais podem ser seguras para crianças. “Pais que optam por uma alimentação à base de plantas podem, sim, criar filhos saudáveis, desde que haja orientação nutricional adequada”, frisa Carvalho.

Entre os nutrientes que devem ser monitorados com mais atenção estão:

  • Vitamina B12: previne anemia e evita danos neurológicos
  • Vitamina D: importante para crescimento ósseo e imunidade
  • Ferro: essencial para o desenvolvimento e prevenção da anemia
  • Zinco: atua na imunidade e cicatrização
  • Cálcio: fundamental para ossos e dentes

Com acompanhamento profissional e planejamento alimentar cuidadoso, a alimentação vegetariana ou vegana pode, sim, fazer parte de uma infância saudável, sem abrir mão do crescimento e do desenvolvimento adequados.

Fonte: Agência Einstein

Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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