O calor tá aí — e o risco de intoxicação alimentar em crianças também. Saiba como evitar

Alimentos expostos ao calor podem parecer inofensivos, mas escondem perigos importantes. Nutricionista explica o que oferecer, o que evitar e como proteger as crianças em passeios, praias e viagens
Criança na praia
Foto: Freepik
Criança na praia Foto: Freepik

Passeios longos, praia, piscina, viagens de carro, lanches improvisados. No verão, a rotina muda e, com ela, a alimentação das crianças. Alimentos expostos ao calor por algumas horas podem se transformar em um risco real à saúde, especialmente no caso de bebês e crianças pequenas.

Segundo a nutricionista materno-infantil Renata Riciati, especialista em seletividade alimentar e comportamento alimentar infantil, o perigo pode estar escondido. “Um alimento contaminado pode ter cheiro, aparência e sabor normais e, ainda assim, causar uma intoxicação alimentar”, alerta, em entrevista ao Canguru News.

Calor e comida: zona de perigo

Entre 5 °C e 60 °C, os alimentos entram na chamada “zona de perigo”, faixa de temperatura em que bactérias se multiplicam rapidamente. Entre as mais comuns estão Salmonella, E. coli, Staphylococcus aureus e Bacillus cereus, de acordo com a especialista. “Em crianças, o risco é maior porque o sistema imunológico ainda é imaturo. Uma intoxicação que em adultos pode ser leve, nelas, pode evoluir rapidamente para quadros graves”, explica Renata. Diarreia intensa, vômitos, febre, desidratação, queda de pressão e até necessidade de internação podem ocorrer, especialmente em menores de 5 anos.

Algumas bactérias produzem toxinas resistentes ao calor. Isso significa que reaquecer o alimento não o torna seguro, ao contrário do que muita gente pensa.

Alimentos que estragam mais rápido no calor

Alguns itens exigem atenção máxima fora da geladeira, principalmente quando o lanche acompanha passeios longos. “Esses alimentos são mais perecíveis e, no caso das crianças, costumam ser menos processados e sem conservantes, o que aumenta o risco”, destaca a nutricionista. Aqui, os principais exemplos:

  • Leite e fórmulas infantis
  • Iogurtes e queijos
  • Ovos
  • Carnes, frango e peixe
  • Papinhas caseiras
  • Arroz, massas e purês

O que levar no lanche: opções mais seguras

Quando não há refrigeração adequada, a escolha dos alimentos faz toda a diferença. As opções mais seguras fora da geladeira por mais tempo são:

  • Pães simples (francês, integral, de forma)
  • Torradas e biscoitos simples, sem recheio
  • Bolos simples, sem cobertura ou recheio cremoso
  • Castanhas e oleaginosas (para crianças maiores, sem risco de engasgo)
  • Barrinhas de cereais simples
  • Frutas inteiras como maçã, pera, banana, tangerina e uva duram mais. Inteiras, duram até 6 horas, cortadas, até 2 horas

Alimentos que devem ser evitados em lanches:

Como acondicionar corretamente os alimentos

Pequenos cuidados fazem grande diferença. Aqui, a nutricionista ensina quais são eles:

  • Use uma bolsa térmica de boa vedação, com dois ou mais gelos reutilizáveis
  • Coloque o alimento já frio (nunca quente)
  • Use potes limpos, com tampa firme
  • Separe alimentos úmidos dos secos
  • Evite deixar a lancheira no sol ou dentro do carro
  • Consuma o quanto antes

Comer na praia ou na piscina: o que observar?

Ao comer na praia ou na piscina, é importante ter atenção redobrada, especialmente quando se trata da alimentação das crianças. Barracas e vendedores ambulantes fazem parte do passeio, mas o calor, a umidade e o tempo prolongado fora da refrigeração aumentam significativamente o risco de contaminação dos alimentos. Entre os principais problemas estão comidas que ficam horas fora da geladeira, a falta de higiene adequada na manipulação, a exposição a insetos, poeira e areia, além da origem e da forma de conservação muitas vezes desconhecidas.

Antes de comprar, vale observar alguns sinais de cuidado. Dê preferência a locais onde os alimentos permanecem cobertos, veja se há uso de caixas térmicas bem fechadas, confira se so vendedor utiliza luvas ou pegadores e se o ambiente aparenta limpeza. Por outro lado, é melhor evitar o consumo quando o alimento está morno, há presença de moscas sobre a comida, o gelo está derretido ou quando o vendedor manipula dinheiro e alimento ao mesmo tempo, sem higienização das mãos.

Algumas escolhas tendem a ser mais seguras nesses ambientes, como água mineral lacrada, bebidas industrializadas fechadas, milho cozido bem quente, tapioca preparada na hora e bem passada, além de picolés industrializados com embalagem intacta. Já para crianças, certos alimentos oferecem risco maior e devem ser evitados, como sanduíches com maionese, cachorro-quente exposto, queijos, camarão e peixes, salada de frutas, açaí não industrializado e sucos naturais preparados com gelo de procedência desconhecida.

“O ideal, sempre que possível, é levar o lanche de casa”, orienta Renata. E quando isso não for viável, optar por alimentos simples, quentes ou bem gelados, preparados na hora e de origem confiável.

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