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Crianças e adolescentes conectados ajudam os pais a usarem a internet, revela pesquisa
A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019, sobre o acesso das crianças à internet, foi divulgada nesta terça-feira (23) e indica que aquela ajudinha que os jovens dão aos mais velhos para a realização de atividades online já virou parte da rotina: muitos usuários da internet que têm entre 9 e 17 anos de idade declararam dar esse auxílio a seus pais ou responsáveis, sendo que 29% deles fazem isso todos os dias ou quase todos os dias e outros 28% ajudam pelo menos uma vez por semana.
“Nesta edição, além de indicadores sobre mediação parental, a pesquisa traz dados sobre como os jovens oferecem ajuda aos pais ou responsáveis. Neste momento de isolamento social em função da pandemia da Covid-19, a interação da família sobre atividades online passa a ser ainda mais relevante”, comenta Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que realiza a pesquisa. “Buscar ajuda com os filhos pode ser um caminho para estabelecer este importante diálogo entre pais e filhos sobre o uso seguro da internet”, analisa ele.
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Outros dados interessantes trazidos pela TIC Kids Online Brasil 2019 são os relacionados à participação dos pais dos jovens de 9 a 17 anos em sua vida online. Deles, 80% conversam com os filhos sobre o assunto, 77% ensinam como usar a internet com segurança e 55% ajudam a fazer alguma tarefa na internet que a criança não entende. Quanto mais novas as crianças, mais os pais participam de suas atividades na internet presencialmente: 47% dos pais dos jovens de 15 a 17 anos fazem isso, número que sobe para 75% entre os pais de crianças de 9 e 10 anos.
Em relação aos riscos da internet, mais meninas (27%) tiveram contato com conteúdos de violência online do que meninos (17%). Conteúdos sobre emagrecimento também aparecem mais para elas (21%) do que para eles (10%). As meninas também sofreram mais com tratamentos ofensivos online: 31% delas contra 24% dos meninos.
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Panorama do acesso de crianças e adolescentes à internet
Na pesquisa, é possível ter uma noção de como é o acesso à internet pelas crianças e jovens no país: 89% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no Brasil, o que significa 24,3 milhões de crianças e adolescentes conectados. O percentual é menor nas áreas rurais (75%), nas regiões Norte e Nordeste (79%) e em domicílios das classes “D” e “E” (80%). Na mesma faixa etária, cerca de 1,8 milhão de indivíduos não são usuários de internet e 4,8 milhões de crianças e adolescentes vivem em domicílios que não têm acesso à rede. Não ter internet em casa é o principal motivo para o não uso da rede (1,6 milhão de não usuários apontaram esse motivo).
O principal dispositivo para acessar a internet é o celular, usado por 95% de crianças e adolescentes brasileiros – 58% usam exclusivamente o celular. E o acesso é predominantemente domiciliar: 92% acessa de casa e 83%, da casa de outras pessoas. Apenas 32% acessa da escola. “O acesso exclusivo pelo telefone celular e a falta de conectividade nos domicílios são limitações que merecem a atenção das políticas públicas, sobretudo no contexto da pandemia que estamos enfrentando. Tais fatores dificultam, por exemplo, a continuidade das atividades de ensino e aprendizagem a distância”, avalia Alexandre Barbosa.
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A TIC Kids Online Brasil, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), é realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Em sua oitava edição, a pesquisa entrevistou 2.954 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, além de seus pais ou responsáveis, em todo o território nacional. As entrevistas ocorreram de outubro de 2019 a março de 2020.
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Heloisa Scognamiglio
Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.
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