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Câncer infantojuvenil: diagnóstico precoce aumenta chances de cura da doença
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que é possível estimar que em 2020 cerca de oito mil novos casos de câncer infantojuvenil serão diagnosticados no Brasil. De acordo com o Instituto, realizar o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e de qualidade de vida do paciente.
A doença, em crianças e adolescentes, afeta, geralmente, células do sistema sanguíneo (leucemia), linfático (linfoma) e dos tecidos de sustentação. Esses tipos são de natureza embrionária, em sua maioria. Segundo INCA, esse detalhe faz com que a resposta aos tratamentos atuais seja eficiente, aumentando as chances de cura, principalmente quando descoberto no início.
Para chamar a atenção de pais e responsáveis sobre a importância de estar atento aos sintomas da doença, foi criada a campanha Setembro Dourado. A partir de medidas educativas por meio das redes sociais, busca-se informar e explicar as ocorrências do câncer infantojuvenil no país.
De acordo com o GRAACC, entidade responsável pelo hospital referência em oncologia pediátrica no Brasil, a pandemia também traz preocupações aos pais sobre o momento de levar as crianças em consultas médicas. Entretanto, a diretora clínica do Hospital do GRAACC, a médica Monica Cypriano, afirma que atrasos nas sessões de tratamento podem resultar em um piora do quadro.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indica que os “pais e responsáveis realizem consultas regulares com o pediatra para seus filhos e filhas, visando o diagnóstico precoce da doença, e permitindo assim, melhor chance de cura, de sobrevida e de qualidade de vida para o paciente e sua família”.
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A importância do diagnóstico precoce
Mais de 70% dos casos de câncer infantojuvenil podem ser curados por conta do diagnóstico feito precocemente, mostram os dados do GRAACC. Números do INCA informam o mesmo: cerca de 80% dos casos têm sucesso no tratamento quando os sintomas e sinais são notados no início da doença e tem tratamento especializado.
O Instituto explica, em sua página, que ainda não existem evidências científicas que relacionem fatores de risco com o câncer infantojuvenil (como é o caso nos adultos) e, por isso, não é possível indicar uma prevenção. “A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce e à orientação terapêutica de qualidade”, informa.
“Infelizmente, com base nos dados dos registros de câncer atualmente consolidados, muitos pacientes em nosso país ainda são encaminhados aos centros de tratamento com a doença avançada”, afirma a nota especial do Departamento Científico de Oncologia da SBP, em informativo sobre o Setembro Dourado.
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Sintomas que podem indicar câncer infantojuvenil
De acordo com o GRAACC, é normal que alguns sintomas sejam confundidos com outros adoecimentos comuns para a idade.
Os principais sintomas e sinais são:
- Dores nos ossos, principalmente nas pernas, com ou sem inchaço;
- Palidez inexplicada;
- Fraqueza constante.
- Aumento progressivo dos gânglios linfáticos
- Manchas roxas e caroços pelo corpo, não relacionados a traumas;
- Dores de cabeça, acompanhadas de vômitos;
- Perda de peso;
- Aumento ou inchaço na barriga;
- Febre ou suores constantes e prolongados;
- Distúrbios visuais e reflexos nos olhos;
- Sinais precoces de puberdade: acne, voz grave, ganho excessivo de peso, pelos pubianos ou aumento do volume mamário nas meninas com menos de 8 anos e nos meninos com menos de 9 anos de idade;
- Dor nas costas, que piora quando deitado de barriga para cima.
A SBP salienta a importância da realização de consultas regulares aos pediatras para que seja feito um diagnóstico precoce do caso. Além disso, aponta que é fundamental procurar centros especializados em oncologia pediátrica, com equipe multiprofissional e com tratamento específico para crianças.
Webinar
No dia 23/09, às 19h, o Hospital do GRAACC fará um webinar com a Dra. Monica Cypriano com o tema “E se for câncer infantil? Os sinais da doença e as chances de cura”. Para fazer a inscrição e participar, basta acessar clicar aqui.
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Thainá Zanfolin
Jornalista formada pela UNESP, tem experiência na área de Ciência e Saúde, inclusive em temas que envolvem desenvolvimento e bem-estar infantil. Já participou da produção editorial de livros informativos e revistas de diversos assuntos.
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