Calorão e gravidez: 7 cuidados para amenizar o inchaço e sobreviver ao verão

Se aguentar as altíssimas temperaturas não é fácil para ninguém, imagine para as gestantes, que passam por transformações físicas e emocionais intensas, enquanto formam um ser humano do zero dentro de si! Aqui, especialistas dão dicas para você passar pelos meses mais quentes com menos desconforto
Hidratar-se e fazer atividade física ajudam a amenizar o inchaço
Hidratar-se e fazer atividade física ajudam a amenizar o inchaço

Gerar uma vida mexe com tudo. Com o coração, com a rotina, com os planos. Mexe muito, é claro, com o corpo. As pernas são completamente impactadas, especialmente nos dias mais quentes. Só quem enfrentou uma reta final de gestação coincidindo com o verão sabe o quanto elas ficam pesadas, inchadas, cansadas. Para algumas gestantes, surgem também os vasinhos e as varizes.

O ginecologista e obstetra Nélio Veiga Junior, de São Paulo (SP), esclarece que as varizes na gestação costumam aparecer por dois motivos principais: um deles é hormonal, já que a progesterona aumenta a dilatação das veias em todo o corpo. O outro é mecânico: conforme o bebê cresce, a pressão sobre as veias aumenta, dificultando o retorno do sangue. “Apesar de comum, o inchaço precisa sempre ser acompanhado pelo obstetra”, reforça o médico.

O calor também entra nessa conta. A cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), explica que temperaturas mais altas provocam vasodilatação, o que pode deixar as pernas ainda mais doloridas e pesadas.

No começo da gravidez, mesmo antes da barriga aparecer, o corpo já está trabalhando intensamente. “Há um aumento importante do volume de sangue circulante, necessário para a formação da placenta”, explica a a especialista. Essa adaptação pode causar inchaço, dor nas pernas, tonturas e sensação de queimação.

No segundo trimestre, muitas mulheres sentem um certo alívio. “Costumo dizer que é a fase mais tranquila”, conta a médica. O corpo se adapta melhor às mudanças, e as queixas mais comuns costumam ser as câimbras noturnas.

Já no terceiro trimestre, o peso da barriga pode comprimir a veia cava, responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração. O resultado é conhecido: pés e tornozelos inchados no fim do dia. “Quanto maior o ganho de peso, mais intenso tende a ser esse desconforto”, explica Aline. Ainda assim, não existe fórmula. Cada gestação é única. Enquanto algumas mulheres passam por tudo isso de forma leve, outras precisam de acompanhamento mais atento.

Seja qual for o seu caso, alguns cuidados podem ajudar. Aqui, os especialistas indicam os principais:

7 cuidados possíveis (e humanos) para as pernas na gestação

  1. Observe o ganho de peso, evitando excessos sempre com orientação médica.
  2. Hidrate-se bem e reduza o consumo de sal, que favorece a retenção de líquidos.
  3. Alongue-se antes de dormir para aliviar câimbras e, se indicado, faça drenagem linfática manual.
  4. Use meias de compressão, com orientação de um médico vascular, de preferência desde o início do dia.
  5. Converse com seu médico: após a 14ª semana, algumas medicações podem aliviar dor, cansaço e edema.
  6. Durma de lado, preferencialmente o esquerdo: isso melhora a circulação das pernas e o fluxo de sangue para a placenta.
  7. Mantenha-se ativa, com atividades físicas liberadas pelo obstetra.

Mesmo com todo o cuidado do mundo, é comum notar uma piora temporária no aspecto das pernas durante a gestação. A boa notícia é que a tendência é melhorar depois do parto. “O ideal é esperar pelo menos três meses após o nascimento do bebê, quando o útero retorna ao tamanho normal, para pensar em qualquer tratamento”, orienta Nélio. A partir daí, uma avaliação completa da circulação ajuda a definir o melhor caminho. Respeitar os limites do corpo e cuidar de si também fazem parte de um bom acompanhamento da gestação. Suas pernas estão te levando longe — e merecem carinho nesse percurso.

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