Artigos
Álbum de figurinhas: os aprendizados para além da diversão
Na minha infância não me lembro de ter colecionado algum álbum de figurinhas. Somente na adolescência tive a primeira experiência de completar um álbum. E foi para presentear alguém. Tinha um amor platônico no colégio. Aquela paixão avassaladora, mas somente de longe. Era uma menina uns dois anos mais nova que eu. E a febre na época era o álbum “Amar é”. Pensei, portanto, que não existiria presente melhor para se declarar uma paixão do que dar a ela o álbum completo. Uma tia me ajudou. Fomos até a Praça 7, área central de Belo Horizonte, para comprar as figurinhas faltantes.
Com a “missão” resolvida, certo dia, fui para o colégio mais cedo, pois a entrada do ano dela era antes da minha. Fiquei esperando. Quando a menina apareceu, entreguei o álbum e disse que tinha feito para ela. Ela olhou um pouco assustada e agradeceu. Foi todo o contato que tivemos. Infelizmente meu plano não deu certo.
Passaram-se muitos anos e a Duda, minha filha, disse que queria comprar umas figurinhas. Era de um desenho que ela adorava: Meu AmigãoZão. Começamos comprando o álbum e alguns pacotes de figurinhas. E toda vez que saíamos, ela queria comprar mais pacotes. Percebi então que através dessa coleção, podia trabalhar com ela alguns pontos importantes sobre consumo, ansiedade e outros aspectos benéficos que a atividade traz, como leitura, identificação dos números das páginas e das figurinhas e mesmo coordenação motora fina para colar os cromos. Definimos qual seria o dia da compra e a quantidade de pacotinhos. Passado algum tempo, o volume de figurinhas repetidas aumentava. O que fazer com elas?
Passamos a buscar uma forma de trocar com outras pessoas que também estivessem fazendo a coleção. Descobrimos uma banca perto de nossa casa que fazia trocas. Tinha um clube de trocas. E o melhor, muitas pessoas aproveitavam e faziam trocas entre si. Conseguimos garantir várias figurinhas dessa maneira. Mas faltavam algumas para completar o álbum.
Ao invés de continuar comprando mais pacotinhos e ter de contar com a sorte, resolvi fazer um pedido online. Essa era uma grande novidade para mim. A editora permitia a compra de um número limitado de figurinhas faltantes. Fizemos o pedido e alguns dias depois, recebemos nossa encomenda. A Duda não cabia em si de tanta alegria de ter completado o seu primeiro álbum. Voltamos para o clube das trocas e doamos as figurinhas que tinham sobrado para algumas pessoas.
Depois vieram outros álbuns. Angelina Ballerina, Frozen e Cúmplices de um resgate. Em 2014, completamos o álbum da Copa do Mundo. Há dois meses, meu outro filho, João Pedro, disse que queria umas figurinhas. Do Luccas Toon. E recomeçamos. Usando as mesmas estratégias da época da Duda. Limitando a compra de pacotinhos. Ainda mais que o preço dos pacotes de figurinhas subiu bastante. Na época da Duda custavam pouco mais que R$ 1. Agora cada pacotinho custa R$ 3,50.
Com a questão da pandemia, não estamos conseguindo trocar. O volume de repetidas aumenta. E o João Pedro, ao abrir um pacote, já sabe quais figurinhas ele não tem e quais são repetidas. Vamos fazer o pedido na editora das figurinhas faltantes. Daqui a alguns dias, ele poderá completar o seu primeiro álbum.
E você, qual sua experiência com álbuns de figurinhas?
LEIA TAMBÉM:
[mc4wp_form id=”26137″]
Carlos Eduardo Costa
Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda e do João Pedro. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Cyberbullying não começa na internet: estudo mostra que violência pode acompanhar adolescente da escola para as telas
Pesquisa com 4,2 mil estudantes revela que jovens envolvidos em diferentes formas de bullying têm risco muito maior de apresentar...
Mudanças na licença-maternidade: mães biológicas e adotivas agora têm os mesmos direitos
STF decidiu que mães biológicas e adotivas têm direito ao mesmo período de afastamento; medida vale para trabalhadoras CLT, servidoras...
“Meu marido não tem amigos”: você também gerencia a vida social na sua casa?
Um artigo recente da The Cut me fez pensar em (mais) uma tarefa invisível que, muitas vezes, sobrecarrega as mulheres...
Sedentarismo começa na infância – e não é só falta de exercício
Crianças e adolescentes têm se movimentando menos e passado mais tempo sentados, especialmente diante das telas. Entenda por que esse...








