A volta às aulas não começa na mochila: 5 coisas para começar a fazer já e ajudar com o ano letivo

Retomar a rotina de sono, conversar e acolher os sentimentos o quanto antes são atitudes que dão as ferramentas de que as crianças precisam para se readaptar à escola com segurança emocional
Preparar a criança para a volta às aulas é essencial
Foto: Freepik
Preparar a criança para a volta às aulas é essencial Foto: Freepik

Aqui em casa, eu já percebi: cada filho vive a volta às aulas de um jeito. Tem criança que sente saudade dos amigos, fica animada para organizar o material novo, separar o uniforme e reencontrar os professores. E tem aquela que prefere nem pensar em acordar cedo de novo, retomar a rotina, estudar, cumprir horários.

E tudo bem.
Seja qual for o “clima” aí em sua casa, uma coisa é certa: o preparo para a volta às aulas não deve ficar para a última hora. E não estou falando de lista de material, não. Estou falando do preparo emocional que começa agora, mesmo que as aulas ainda demorem alguns dias para recomeçar.

Depois de um período longo de descanso, a criança não retorna para a escola apenas com a mochila nas costas. Ela volta com sentimentos, expectativas, inseguranças, curiosidades e, muitas vezes, medos que nem sempre sabe explicar.

“A criança não volta para a escola apenas com a mochila. Ela volta com emoções, inseguranças, curiosidades e expectativas que precisam ser acolhidas”, explica a pedagoga Cristiane Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School (RJ), em entrevista ao Canguru News. Segundo ela, quando o adulto foca apenas em horários, conteúdos e cobranças, perde uma grande oportunidade de fortalecer o vínculo, que é a base de uma adaptação mais tranquila.

Sono, rotina e previsibilidade ajudam mais do que qualquer exercício

Antes de pensar em livros ou atividades escolares, o primeiro ajuste acontece na rotina. Especialmente no sono. Voltar, aos poucos, a dormir e acordar em horários mais regulares ajuda o corpo da criança a se reorganizar e isso impacta diretamente o emocional.

“O corpo precisa entender que um novo ritmo está chegando. Quando a criança dorme melhor, ela lida melhor com frustrações, mudanças e desafios”, explica a especialista.

Refeições feitas com calma, dias menos corridos e menos estímulos no fim do dia também ajudam a reduzir a irritabilidade e a ansiedade tão comuns nesse período de transição.

Conversar é mais importante do que explicar

Outra chave fundamental nesse processo é o diálogo. E diálogo de verdade: perguntar, escutar e acolher. Falar sobre a escola, perguntar como a criança está se sentindo, o que ela espera, o que anima e o que preocupa cria um ambiente de segurança. “Perguntar o que ela sente é muito mais potente do que discursos prontos”, orienta Cristiane.

A expectativa em relação à volta às aulas não precisa virar ansiedade. Isso acontece quando o retorno é tratado como cobrança, comparação ou pressão por desempenho. A escola precisa ser oferecida como um espaço de convivência, descobertas e crescimento, não como um lugar onde a criança precisa “dar conta de tudo” desde o primeiro dia.

Outro cuidado importante é fortalecer a ideia de continuidade. Relembrar amigos, professores, momentos bons e histórias já vividas ajuda a criança a entender que ela não está começando do zero. “A criança precisa sentir que está dando continuidade a uma história, e não sendo jogada em um novo ano escolar”, afirma a pedagoga.

5 atitudes simples que fazem muita diferença

Se você quer ajudar seu filho a viver uma volta às aulas mais leves, vale começar por pequenos gestos no dia a dia:

  • Ajustar o sono aos poucos, sem mudanças bruscas

  • Conversar sem pressionar, ouvindo mais do que falando

  • Relembrar experiências positivas da escola

  • Evitar discursos de cobrança e comparação

  • Estar emocionalmente disponível, oferecendo a presença

“A criança que se sente segura aprende melhor, se relaciona melhor e enfrenta desafios com mais autonomia”, conclui Cristiane.

No fim das contas, a volta às aulas não precisa ser um choque.
Ela pode (e deve!) ser uma transição feita com cuidado, escuta e afeto. 

 

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