Por Cristina Moreno de Castro e Daniele Franco
Do you speak English fluently? Se a resposta for sim, vale a pena aproveitar essa habilidade que você tem para estimular em seu filho o aprendizado do segundo idioma. É o que dizem sete de sete especialistas em ensino de inglês para crianças consultados pela reportagem da Canguru.
“O estímulo precoce ajuda muito e não há um tempo ideal para essa exposição ao inglês, mas é muito mais benéfico se ela for diária”, diz Stela Maria Fernandes Marques, pós-doutora em educação pela Universidade de Newcastle e professora da PUC Minas. Para Stela, a escolinha de inglês, que costuma oferecer duas aulas por semana, em média, é até capaz de fazer a criança aprender, mas esse aprendizado não será tão eficaz se a criança não praticar com frequência fora do horário de aula. “Quando a criança não pratica, as conexões neurais que a fizeram aprender em sala são desmanchadas. A prática faz com que o cérebro entenda que aquela informação deve ser gravada na memória.”
Ana Regina Araújo, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Number One, vai além. Segundo ela é preciso criar uma rotina para a prática do segundo idioma dentro de casa, inclusive com horário definido, mesmo que seja um período de apenas dez minutos por dia. “O aprendizado de uma segunda língua não é conhecimento, e sim habilidade, e habilidade se adquire com treino, frequência e disciplina.”
Mas como estimular o vocabulário dos pequenos? “Pode ser através do uso do idioma em situações do dia a dia, através de joguinhos, desenhos animados e filminhos em inglês. A exposição da criança aos sons do idioma estrangeiro a leva a registrar tais sons, criar conexões entre eles e ser capaz de replicá-los mais tarde“, explica Litany Pires Ribeiro, gerente acadêmica da Cultura Inglesa. No quadro que acompanha esta reportagem, compilamos uma dezena de dicas para criar esses estímulos.
A pedagoga especialista em educação infantil Andréa Salles, que é coordenadora pedagógica da Tic Tac Toe pondera que os pais não podem “forçar a barra”, conversando em inglês o tempo todo, sob pena de a criança tomar birra do idioma. “Como elas sabem que o pai não fala inglês, não se esforçam para responder.” Andréa diz que o contrário também acontece: quando um estrangeiro chega à escola e as crianças são avisadas de que ele não sabe falar português, elas disparam a conversar em inglês.
E se os pais não dominam o inglês?
A maioria dos professores afirma que é melhor que os pais que não falam inglês não tentem ajudar no “homework”, porque podem acabar atrapalhando. Mas isso não é um consenso. A gerente acadêmica da Cultura Inglesa, Litany Ribeiro, defende que mesmo esses pais monolíngues tragam para os filhos recursos em inglês (como livros, vídeos e músicas) e ainda os acompanhem nessas atividades, para que eles próprios aprendam juntos e, com isso, estimulem as crianças ainda mais.
“Se arrisque! Sua capacidade de aprendizado sempre existirá e as crianças podem ajudá-lo a crescer no idioma”, concorda Leiza Oliveira, CEO da rede Minds Idiomas.
Aulas desde o berço
A idade para colocar a criança na escolinha de inglês é a questão mais polêmica entre os especialistas consultados. Em Belo Horizonte, já é possível encontrar até berçário bilíngue, que atende bebezinhos a partir dos 4 meses. É o caso da Future, escola infantil bilíngue no bairro Anchieta, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Sua diretora, Lívia Gasparini, assegura que uma pequena aluna de 8 meses já dá tchauzinho e esboça um “bye-bye” na hora de ir embora.
Na Cultura Inglesa, há aulas para crianças a partir de 3 anos, mas já há pedidos de cursos para pequenos a partir de 1 ano e 8 meses. “Estudos mostram que as ligações entre os neurônios para processar novas palavras são desenvolvidas antes dos 4 anos. Nesse estágio, a exposição a uma nova língua permite um aprendizado mais eficiente e duradouro”, diz a gerente acadêmica da escola, Litany Pires Ribeiro.
Já Augusto Jimenez, fundador e diretor da Minds Idiomas, defende os cursos para crianças apenas a partir de 9 anos, quando, segundo ele, “o desenvolvimento cognitivo é perfeito” e o pequeno poliglota já é capaz de assistir a animações complexas como Moana, sem dublagem ou legenda, e assimilar o vocabulário.
Assim como acontece com as escolas regulares, é importante que os pais saibam que os cursos de inglês têm metodologias e conceitos variados. Há aqueles que privilegiam a imersão total no segundo idioma e até fazem a alfabetização simultânea nas duas línguas. Existem as escolinhas que adotam a tecnologia desde os primeiros níveis, e outras que preferem as brincadeiras tradicionais. A opção por um ou outro modelo vai depender do perfil da família.
Conheça algumas escolas que oferecem cursos inglês para crianças em Beagá*:
- FUTURE – para crianças a partir de 4 meses
- TIC TAC TOE – para crianças a partir de 1 ano
- NUMBER ONE – para crianças a partir de 2 anos
- THE KIDS CLUB – para crianças a partir de 2 anos
- CULTURA INGLESA – para crianças a partir de 3 anos
- RED BALLOON – para crianças a partir de 3 anos
- YÁZIGI – para crianças a partir de 3 anos
- CCAA – para crianças a partir de 3 anos
- GREENWICH SCHOOLS – para crianças a partir de 3 anos
- FISK – para crianças a partir de 4 anos
- MINDS IDIOMAS – para crianças a partir de 9 anos
* Pesquisa feita pela reportagem em fevereiro de 2017 junto às instituições