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Xô, Piolho! Estratégias eficazes para a volta às aulas sem pesadelos

Com o fim das férias e a retomada da rotina escolar, além do material novo e da ansiedade pelo reencontro com os amigos, algumas preocupações ressurgem. Uma delas é com os vírus, que voltam a circular entre os pequenos. Outra é um verdadeiro pesadelo (para mim, ainda mais aterrorizando do que gripes e resfriados): o piolho.
Não sei se as crianças aí na sua casa já passaram por isso, mas, há alguns anos, meu filho acabou pegando, justamente na escola. Fizemos de tudo! Remédio, sabonete, shampoo, loção, spray, ferve tudo, ferve roupa de cama, almofada, travesseiro, horas e horas de pente fino, esterilização. Até reza brava teve! Todo mundo cortou os cabelos para facilitar a inspeção e remoção, até conseguirmos vencer a infestação. Mas foi tempo, trabalho, estresse… Como podem uns bichinhos tão minúsculos conseguirem nos irritar nesse nível?
Mas a melhor forma de prevenir, identificar é cuidar é com informação de qualidade. Assim, fica mais fácil saber como agir. A primeira coisa importante é que, ao contrário do que muita gente (ainda!) acredita, não, ter piolho não tem relação com falta de higiene e muito menos com a renda da família. “Os piolhos são parasitas pequenos, sem asas, que se alimentam de sangue e vivem na superfície da pele e dos pelos”, explica a dermatologista Lauren Morais, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Paraná (SBD-PR). Eles se proliferam com mais facilidade em ambientes quentes e úmidos. Por isso, nessa época do ano eles fazem a festa. O verão dá uma ajudinha.
As lêndeas, que são os ovos, ficam presas à raiz do cabelo, bem próximas ao couro cabeludo, diferente da caspa, que costuma se soltar com facilidade. E, mesmo fora da cabeça, esses ovos podem sobreviver por vários dias em condições favoráveis. “Já os piolhos gostam de umidade e conseguem sobreviver até cerca de 20 minutos submersos em água”, alerta a especialista.
Como acontece o contágio?
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto de cabeça com cabeça, algo comum entre crianças que brincam juntas. Também pode acontecer pelo compartilhamento de objetos pessoais, como pentes, escovas, bonés, acessórios de cabelo e até roupas de cama.
E ao contrário do que muita gente imagina, os piolhos não pulam nem voam. Eles se deslocam rastejando, mas podem ser lançados para o ambiente ao usar um secador ou ao tirar uma blusa, por exemplo. Cabelos curtos tendem a oferecer menor superfície de contato, o que reduz o risco de infestação, mas não elimina a possibilidade.
Sinais de alerta
O principal sintoma da pediculose (é esse o nome técnico da infestação por piolhos) é a coceira intensa. Em alguns casos, ela pode causar pequenas feridas na nuca, atrás das orelhas e no couro cabeludo. Também é possível ver os piolhos ou as lêndeas a olho nu, especialmente com boa iluminação e inspeção cuidadosa.
Como prevenir na rotina escolar
A principal recomendação é não compartilhar objetos pessoais. “Pentes, escovas, bonés, acessórios de cabelo e roupas de cama ou banho devem ser de uso individual”, reforça Lauren.
Não é necessário exagerar na limpeza da casa nem usar inseticidas no ambiente, porque além de não prevenir piolhos, pode até ser prejudicial.
Tratamento: cuidado e orientação médica
O tratamento costuma incluir o uso do pente fino, desde a raiz do cabelo, para remover piolhos e lêndeas, além de loções pediculicidas. Em casos específicos, pode ser indicada medicação oral antiparasitária.
A especialista faz um alerta importante: nunca use inseticidas ou produtos caseiros por conta própria. Eles podem ser tóxicos e, além de não resolver o problema, podem causar danos à saúde da criança.
Também é fundamental avisar à escola para que as famílias de todas as crianças cuidem do problema. Se um estiver infectado e deixar de tratar, pode repassar para os outros, ainda que já tenham eliminado os insetos.
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