O que você precisa saber sobre a volta às aulas se o seu filho tem TDAH

Retomada da rotina escolar pode evidenciar desatenção, impulsividade e dificuldades de organização. Acompanhamento médico e apoio da escola são essenciais
Criança abre armário da escola
Fonte: Freepik
Criança abre armário da escola Fonte: Freepik

A volta às aulas pode ser um período desafiador para muitas crianças e adolescentes, mas especialmente para as que convivem com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Com o retorno à rotina, horários fixos, regras mais estruturadas e aumento das demandas cognitivas, é comum que sintomas como desatenção, impulsividade e dificuldade de organização fiquem mais evidentes depois das férias.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, o TDAH afeta cerca de 7,6% das crianças e adolescentes no Brasil, impactando o desempenho escolar, as relações sociais e a autoestima. Para o neurologista infantil Rubens Wajnsztejn, diretor da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, o início do ano letivo é um momento estratégico para avaliar a evolução dos sintomas e, se necessário, ajustar o tratamento. “É importante observar como a criança se comporta dentro e fora da escola, sempre em diálogo com o médico responsável. A continuidade do acompanhamento ajuda a garantir uma adaptação mais equilibrada à rotina”, destaca.

6 sinais que merecem atenção

O TDAH é um transtorno de origem neurobiológica, com forte influência genética. Os sintomas geralmente começam a aparecer na infância e podem persistir na vida adulta. Entre os sinais mais comuns estão:

  1. Dificuldade de manter a atenção em tarefas e brincadeiras
  2. Desorganização frequente
  3. Esquecimento e distração fácil
  4. Impulsividade, inquietude e fala em excesso
  5. Dificuldade para seguir instruções até o fim
  6. Baixa tolerância à frustração

Agitação acima do esperado para a idade, dificuldades para dormir, choro frequente e problemas de autorregulação emocional também podem ser indícios de que vale buscar avaliação especializada.

Apoio da escola faz toda a diferença

A dificuldade de adaptação à rotina reforça a importância de educadores preparados e ambientes escolares acolhedores. Um exemplo é o projeto TDAH Levado a Sério na Escola, criado em 2024, que já alcançou mais de mil educadores em cerca de 220 escolas em todo o país. A proposta é fornecer orientações sobre identificação precoce e estratégias de apoio em sala de aula.

Em 2026, a iniciativa deve ser ampliada com uma trilha digital de capacitação, facilitando o acesso à informação para professores de todo o Brasil e ajudando a reduzir estigmas e desinformação sobre o transtorno.

Diagnóstico e tratamento exigem avaliação médica

O diagnóstico de TDAH em crianças deve ser feito por meio de avaliação clínica detalhada com profissional médico especializado. Em 2025, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) oficializou oito opções medicamentosas para o tratamento do TDAH no país, incluindo estimulantes, antidepressivos e a atomoxetina, primeira terapia não estimulante disponível no Brasil desde o fim de 2023.

Voltar às aulas pode ser um desafio, mas também uma oportunidade de observar, ajustar rotinas e buscar apoio. Com informação, acompanhamento e acolhimento, crianças com TDAH podem desenvolver todo o seu potencial, dentro e fora da escola.

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