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Viva e Deixe Viver celebra duas décadas de histórias

Por Luciana Ackermann
A ASSOCIAÇÃO VIVA E DEIXE VIVER, que leva contadores de histórias a crianças e adolescentes hospitalizados, completa 20 anos de existência, no dia 17 de agosto. São mais de mil voluntários credenciados pelo país. O Rio de Histórias, por exemplo, é o braço fluminense, que atua em 24 hospitais parceiros, nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu e Caxias, 16 deles da rede pública e sete privados.
É por meio da leitura e do brincar que os voluntários buscam transformar a internação hospitalar de crianças e adolescentes em um momento mais agradável e terapêutico. Um trabalho que afeta a todos, inclusive a família e a equipe multidisciplinar dos hospitais.
Foi nos Estados Unidos, nos anos 90, que o publicitário Valdir Cimino, idealizador do bem-sucedido projeto, foi instigado a arregaçar as mangas em nome da cidadania.
Cimino frequentava uma associação de idosos para praticar o idioma. Lá ouviu a sugestão de que ele poderia trabalhar como voluntário lendo para pacientes internados.
Passou a ler para um senhor cego. De lá para cá, não teve dúvidas sobre o poder de se fazer o bem e das narrativas.
Cimino, que já quis ser médico, desistiu cedo ao desmaiar vendo o dedo ensanguentado do irmão. Em 1993, ajudou muitas crianças do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, comprando brinquedos para as festas, bingos, organizando a arrecadação de tíquetes para a compra de leite.
Sentiu necessidade de conhecer um pouco mais os pequenos que auxiliava. Conversando com a sobrinha Violeta ao telefone, falou sobre como o ambiente hospitalar deixa os pequenos com medo, e a garotinha emendou: “Tio, leia para elas”. “Daí para frente passei a ouvir mais e falar o essencial, ter mais cuidado com minhas ‘palavras’, permitindo que o Pinóquio e Gepetto possam receber a ajuda dos Powers Rangers para sair da barriga da baleia, a Cinderela pode até ter joanete e nós, adultos, podemos até nos sentirmos felizes ao ouvir um ‘não’ como esse: ‘não, hoje eu não quero ouvir história’. É isso mesmo! Um não pode ser muito importante para quem não pode nunca negar as agulhas, os remédios, os tratamentos de um hospital”, relata Cimino em seu depoimento.
Viva e deixe viver é um exercício de cidadania, que conta com cooperação de diferentes contadores e fazedores de histórias. Gostou? Participe: www.vivaedeixeviver.org.br.
Ajude a escrever novas histórias.
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