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Setembro dourado: ‘A fé e a atitude positiva podem salvar o seu filho’
Por Ivana Moreira

superarem a doença junto com seus filhos | Foto: Gustavo Andrade
Medo de não dar conta. Esse foi o primeiro sentimento que invadiu a jornalista Cristiane Miranda quando recebeu a notícia sobre a leucemia do filho Caio, de 11 anos. Em março deste ano, o menino foi diagnosticado com um caso raro da doença, a mieloide aguda, que exigia um transplante. “Como contar isso a uma criança?”, questionava-se. Mas era necessário. O Estatuto da Criança e do Adolescente determina que os profissionais de saúde informem pacientes com mais de 10 anos sobre o diagnóstico real. Pais e médicos não têm o direito de poupar os pequenos da verdade.
Cristiane sentiu uma dor no peito tão forte que pensou estar tendo um ataque cardíaco. Imaginou que ia desabar diante do filho na hora de dar a notícia. Mas não. Quando se viu na frente do menino, não derramou uma única lágrima. Descobriu naquele instante uma força descomunal para enfrentar tudo o que estava por vir.
“Estou doente com você, filho, e vou me tratar junto com você”, afirmou. A jornalista nunca disse “Caio vai ser internado” ou “Caio vai ter alta”. Era sempre “nós vamos ser internados”, “nós vamos ter alta”. Ao lado do filho, Cristiane descobriu que a atitude positiva diante do diagnóstico faz toda a diferença no tratamento.
“É preciso ter fé”, diz, completando: “A fé e a atitude positiva podem salvar o seu filho”. Foi para ajudar outras mães a enfrentar o câncer infantil que a jornalista resolveu compartilhar sua história no livro Mamãe Coragem, que será lançado no início de novembro.
Ao longo dos meses de tratamento, Cristiane descobriu como ainda é difícil para as pessoas falarem sobre a doença e resolveu travar uma cruzada pessoal contra a desinformação. “Muitas famílias não conseguem sequer contar o que o filho tem porque os outros se assustam”, afirma. “É preciso desmistificar, combater o estigma do câncer”, acrescenta.
Cinco meses depois de descobrir a leucemia, Caio está prestes a voltar para a escola e se prepara para lidar com a curiosidade natural dos colegas. Como a mãe, o menino quer falar abertamente sobre sua doença.
O livro Mamãe Coragem será produzido com recursos de financiamento coletivo, em parceria com a editora Scrittore, que também publica a Canguru. Além de garantir recursos para a publicação da obra, o plano é financiar palestras com especialistas e ajudar alas de oncologia pediátrica de hospitais públicos, como a Santa Casa, onde Caio esteve internado. “Queremos doar mais cadeiras de acompanhante para alas de oncologia pediátrica”, explica Cristiane. Ela sabe quão importante é para uma criança vítima de câncer ter a mãe sempre ao lado do seu leito.
Como contribuir
Leitores interessados em contribuir para a campanha de financiamento coletivo do livro Mamãe Coragem devem acessar o site www.catarse.me/mamaecoragem. Além de garantir antecipadamente um exemplar da obra, os colaboradores poderão financiar a doação de livros para mães carentes, palestras para famílias vítimas da doença e ainda a compra de cadeiras de acompanhante para unidades da Santa Casa de Misericórdia em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.
Canguru News
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