Se você está tentando engravidar, provavelmente, já se deparou com a trend do “trimestre zero”; mas é uma cilada!

Período de três meses antes de tentar engravidar viralizou com promessas de aumentar as chances de gestação, mas médicos explicam o que faz sentido, o que é exagero e quais são os riscos
Teste de gravidez Foto: Freepik

Nos últimos meses, uma nova tendência começou a circular nas redes sociais, especialmente no TikTok: o chamado “trimestre zero”. Se você planeja ter um bebê, é provável que o algoritmo já tenha apresentado algum conteúdo do tipo na sua timeline. A proposta é simples e, a princípio, até parece promissora: dedicar os três meses antes da tentativa de engravidar a uma rotina intensa de mudanças no estilo de vida, com dieta, exercícios, suplementos e cuidados com a saúde. A ideia é aumentar a fertilidade, melhorar a qualidade dos óvulos e até reduzir o risco de aborto espontâneo.

Especialistas alertam, no entanto, que nem tudo o que circula nas redes tem base científica e que algumas práticas podem, inclusive, atrapalhar mais do que ajudar.  Segundo o ginecologista e obstetra Denis Schapira Wajman, especialista em reprodução humana do Einstein Hospital Israelita (SP), existe sim um fundamento biológico por trás da ideia. Tanto os óvulos quanto os espermatozoides levam cerca de 90 dias para amadurecer, e os hábitos nesse período podem influenciar a qualidade dessas células.

Mas isso não significa que mudanças intensas em curto prazo vão transformar a fertilidade. Uma revisão científica publicada em 2025, que avaliou quase 8 mil mulheres, mostrou que intervenções no estilo de vida antes da gravidez não aumentaram significativamente as taxas de gestação entre aquelas que já eram saudáveis. Os benefícios foram mais evidentes em pessoas com obesidade, infertilidade diagnosticada ou alterações metabólicas.

Cuidado, sim; exagero, não

Um dos principais problemas da tendência do “trimestre zero” é o incentivo a rotinas extremas. Dietas muito restritivas, emagrecimento acelerado e treinos intensos podem desregular o sistema hormonal e até impedir a ovulação.  Além disso, a pressão para “preparar o corpo perfeitamente” pode aumentar a ansiedade, um fator que também está associado à dificuldade para engravidar e a ciclos menstruais irregulares.

É bom lembrar que a fertilidade não funciona como uma equação exata. Mesmo casais saudáveis têm cerca de 20% a 25% de chance de engravidar em cada ciclo menstrual. Criar expectativas muito altas pode gerar frustração e sofrimento desnecessário.

Nem tudo pode ser “otimizado”

Nas redes, parece fácil acreditar na possibilidade de melhorar a qualidade dos óvulos em poucos meses. No entanto, isso envolve processos complexos, que não podem ser modificados rapidamente. A chamada reserva ovariana, por exemplo, é definida antes do nascimento e diminui naturalmente ao longo da vida, especialmente após os 35 anos. Nenhuma mudança de estilo de vida é capaz de aumentá-la.  Também é mito que hábitos saudáveis consigam evitar a maioria dos abortos espontâneos, que geralmente têm causas cromossômicas.

E o homem?

Um erro comum nos conteúdos virais é focar apenas na mulher. O que quase todo mundo se esquece é que o fator masculino está presente em até metade dos casos de infertilidade. Hábitos como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, obesidade e privação de sono afetam diretamente a qualidade do sêmen.  “A fertilidade é sempre do casal”, reforçam os especialistas. Ignorar isso significa olhar apenas parte do problema.

O que realmente faz diferença

Embora não seja uma solução milagrosa, algumas mudanças no período antes da gravidez são, sim, importantes, especialmente quando há fatores de risco. Parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, manter um peso saudável e controlar doenças crônicas podem melhorar as chances de uma gestação saudável.

A suplementação de ácido fólico, por exemplo, é recomendada e ajuda a prevenir malformações no bebê. Já muitos suplementos “da moda” não têm benefício comprovado quando não há deficiência nutricional.

Outros cuidados importantes incluem atualizar vacinas, acompanhar condições como diabetes e problemas de tireoide, cuidar da saúde mental e manter acompanhamento médico regular.

Mas, em um período de tantas expectativas, como costuma ser a fase em que se planeja engravidar, é fundamental ter a consciência de que não existe fórmula mágica. O ideal é manter hábitos saudáveis ao longo de toda a vida fértil, com orientação médica e cuidados para não cair em promessas milagrosas da internet.

Fonte: Agência Einstein

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