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Salas de aula do país estão atrasadas em 100 anos, alertam especialistas
Agência Câmara
As salas de aula do início do século 21 ainda são muito parecidas com as de cem anos antes, alertaram especialistas que participaram do segundo dia de debates do 1º Congresso do Futuro, realizado na Câmara dos Deputados. Esse descompasso com a realidade do lado de fora das janelas das escolas, advertiram, desmotiva as crianças, afasta os jovens e evita o crescimento da produtividade do país.
Nas escolas do começo do século 20, recordou o jornalista Marcelo Tas, as crianças tinham como única fonte de informação o professor, que por sua vez se baseava em um livro texto. O ambiente físico de hoje é parecido, observou, mas as meninas e os meninos que entram em sala de aula já contam com múltiplas fontes de informação na internet, rede que os jovens brasileiros usam com muita frequência.
“Os brasileiros são abertos às transformações e às novidades. Somos os maiores usuários das redes sociais, o que tem chamado a atenção de especialistas estrangeiros”, disse Tas.
Escola “chata”
Quase todas as escolas brasileiras já dispõem de equipamentos de informática, informou o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi. Mas apenas 5% usam computadores em salas de aula. Ele disse que o Brasil já gaste o equivalente a 6,5% de seu produto interno bruto (PIB) em educação, mais ou menos o que os países desenvolvidos também investem, a educação não mudou.
“A juventude brasileira acha a escola chata”, afirmou.
Rafael Lucchesi lembrou que 80 milhões de adultos no país não têm o ensino médio completo, o que mantém muito baixa a produtividade da mão de obra no país. São necessários quatro brasileiros, comparou, para alcançar a produção de um alemão. Enquanto na Áustria 77% dos jovens recebem educação profissional, no Brasil atualmente esse índice é de 11%.
O indiano Kishore Singh, relator especial das Nações Unidas para o Direito à Educação, também ressaltou os fortes vínculos entre a indústria e a escola em países como a Alemanha. Ele relatou ter ouvido de empregadores em diversos países que eles precisam de jovens “com habilidades para o século 21”. Se os jovens decidem abandonas as aulas, refletiu, é porque “a educação não é o que eles esperavam”.
Tempo de perguntas
Jornalista especializada em Novas Mídias pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Gabriela Mafort citou quatro fatores que estão mudando a comunicação no mundo: inteligência artificial, realidade virtual, análise preditiva e conteúdo personalizado. Para dar um exemplo de tudo isso, ela convidou uma estudante da plateia a entrar, com sua conta no Twitter, em um aplicativo americano criado para indicar se a pessoa votaria no republicano Donald Trump ou na democrata Hillary Clinton, nas eleições presidenciais deste ano. Com base no histórico de tweets, o aplicativo acertou a predileção da estudante por Hillary.
Em sua palestra, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) ressaltou que as grandes mudanças ocorridas nos últimos anos motivam a formulação de muitas perguntas sobre o que ainda está por vir. A educação, a seu ver, deve seguir esse caminho. Na opinião do senador, a universidade atual “não faz perguntas, só dá respostas”.
“Este é um tempo de dúvidas e de perguntas”, disse Cristovam, ao questionar, por exemplo, os atuais padrões de consumo e meios de aferir o bem-estar das pessoas.
Ao final do evento, o diretor-executivo de Mobilidade e Ecofluig da empresa Totvs, Mário Almeida, observou que, com o acesso imediato à internet, “todo mundo é comunicador”. E, com acesso à informação mais amplo do que em qualquer outra época, ressaltou, será cada vez mais importante aprender a lidar com todos os dados que são consumidos.
“Saber fazer as perguntas certas passou a ser mais importante do que saber as respostas”, afirmou.
Canguru News
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