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Restrição de celular nas escolas: dicas para uma transição tranquila
A proibição do uso de celular nas escolas públicas e particulares, recentemente aprovada por lei no estado de São Paulo, e praticada em pelo menos outras 15 redes estaduais e 14 redes municipais de ensino, por meio de portarias, leis ou recomendações, representa um grande desafio para a comunidade escolar. Visando o cumprimento da norma, muitas vezes, gestores e docentes adotam medidas restritivas, que preveem a entrega dos aparelhos pelos alunos ao entrar na escola. Há também resistência por parte de pais e responsáveis, que destacam a utilidade dos dispositivos móveis em situações de emergência.
Para Luciane Pedro, coordenadora do curso de pedagogia do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, as restrições discutidas em praticamente todo o país têm muitos aspectos positivos, no entanto, as dificuldades não podem ser desconsideradas e demandam ações bem planejadas para que não aumentem as tensões nas relações entre a equipe pedagógica e os estudantes.
“São necessárias estratégias que considerem os vários aspectos dessa restrição, a exemplo do uso do celular nos intervalos das aulas, o que afeta a interação social”, comenta Luciane. Para ela, é preciso estender a restrição do uso também nesses períodos, como algumas escolas já fazem, mas com estímulos para que a interação ocorra face a face, por meio de jogos de tabuleiro, por exemplo, para os adolescentes, e brincadeiras como as de roda e amarelinha, para a crianças.
A coordenadora também destaca que o uso dos celulares pode ser incorporado ao ambiente escolar de maneira pedagógica, explorando temas como combate às fake news, saúde mental e redes sociais e segurança na rede, entre outros. “É necessário que as escolas trabalhem a educação digital para preparar crianças e adolescentes para com as diversas questões relacionadas à vida na internet.”
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Dicas para uma transição tranquila e sem abstinência
Luciane compartilha a seguir estratégias para auxiliar os educadores a realizar uma transição de maneira empática, minimizando conflitos e promovendo um ambiente de aprendizagem saudável:
- Definir um “dia sem celular” semanalmente: introduzir progressivamente a ideia de um espaço livre de dispositivos.
- Promover rodas de conversa com os estudantes: explorar o significado dos celulares em suas vidas e os impactos dessa mudança.
- Estabelecer regras claras e consistentes: comunicar os motivos e os benefícios das normas de maneira transparente.
- Envolver os estudantes no processo: incentivar a participação dos alunos na criação das políticas de uso.
- Oferecer alternativas atrativas: planejar aulas dinâmicas e envolventes, que reduzem a necessidade de distração.
- Permitir usos pedagógicos específicos: incorporar dispositivos em momentos controlados para pesquisas ou atividades educativas.
- Reconhecer emergências: esteja atento às necessidades específicas que podem incluir o uso eventual do celular.
Luciane enfatiza que, ao adotar a abordagem empática e colaborativa, as escolas podem transformar essa transição em uma oportunidade de crescimento para toda a comunidade escolar. “É essencial que estudantes e famílias entendam os motivos da mudança e tenham espaço para compartilhar suas percepções. Essa troca fortalece o vínculo e facilita a adaptação”.
A partir de estratégias bem planejadas, e com a colaboração entre escola, família e alunos, é possível criar um ambiente de aprendizagem mais concentrado, interativo e produtivo, no qual o celular não seja uma distração ou ameaça, mas, sim uma ferramenta educativa.
Canguru News
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