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Criança tem que tomar remédio para verme todo ano?
Para muitos pais, a preocupação em medicar as crianças com remédios para verme é constante. Crianças pequenas, por terem o costume de levar brinquedos e objetos à boca, podem ter maior probabilidade de contaminação. A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) também aponta como causa a ingestão de alimentos contaminados com ovos do verme, e até ferimentos na pele, por onde o parasita possa entrar. Entretanto, apesar de muitas crianças serem medicadas com frequência, com o objetivo de evitar eventuais verminoses, essa prevenção pelo uso de remédio para verme pode não ser a mais indicada ou necessária para os pequenos.
Para esclarecer a respeito das verminoses e da medicação das crianças, a Canguru News conversou com a médica Francielle Tosatti, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria e especialista em Emergências Pediátricas pelo Instituto Israelita Albert Einstein.
Confira abaixo alguns tópicos relevantes para considerar a respeito dos remédios para verme na infância:
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Como atuam os medicamentos
Verminoses consistem em doenças que podem ser causadas por diversos tipos de parasitas, que usam o corpo do indivíduo como hospedeiro. Ao se alojarem, comumente no intestino, os parasitas utilizam nutrientes e outros recursos do organismo para se desenvolverem, podendo causar interferências na absorção dos nutrientes e afetar o desenvolvimento das crianças. Chamados de vermífugos, os remédios para verme são medicamentos prescritos para tratar verminoses.
Segundo Francielle, eles já foram a principal forma de controlar e prevenir essas doenças. Porém, atualmente, tomar a medicação com certa periodicidade já não é mais necessário. “Há muito tempo atrás, até mais ou menos na década de 1990, tinha-se a prática clínica de prescrevê-los periodicamente. No entanto, com as melhorias no sistema de saneamento básico, tratamento da água e do esgoto, maior disponibilidade de informações para a população – que, agora, sabe reconhecer sintomas de verminoses – e melhor higienização dos alimentos, essa prática caiu em desuso.”
Desse modo, medicar as crianças com remédio para verme anualmente, mesmo sem um diagnóstico de verminose, não é preciso.
“O uso de vermífugos de forma preventiva ou periódica não está indicado, sendo reservado apenas para crianças que apresentem evidências clínicas [sinais ou sintomas] ou laboratoriais de contaminação”, explica a pediatra.
“Lembrando que vermífugos são medicamentos e como tais, não são isentos de riscos e efeitos colaterais”, completa.
Precisa tomar todo ano?
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o uso de remédio para verme todo ano mesmo sem diagnóstico definitivo, denominado “tratamento empírico”, é uma recomendação apenas em áreas onde a prevalência de HTS (helmintíases transmissíveis pelo solo) esteja entre 20% e 50% da população. Em áreas com prevalência superior a 50% dessas doenças causadas por helmintos – ou seja, por vermes – é recomendado o tratamento até duas vezes ao ano. Entretanto, essas regiões correspondem a áreas mais vulneráveis, onde o sistema de saneamento básico é mais precário e a contaminação pelos parasitas é mais propícia.
Fora desse cenário, apenas incentivar algumas medidas de higiene nas crianças já é uma boa forma de evitar a contaminação por vermes. De acordo com a SBP, lavar as mãos com frequência antes de comer e após usar o banheiro e não andar descalço em lugares em que não se conheça as condições de higiene são boas formas de prevenção. Para os pais, lavar bem os alimentos antes de preparar as refeições, especialmente os que serão consumidos crus, é essencial.
Cuidados com a dosagem e formulação
Francielle Tosatti pontua que, caso seja necessária a medicação da criança, é preciso analisar também a idade e peso, para que o uso do vermífugo seja feito de forma responsável e segura. “Os vermífugos mais prescritos são liberados para uso adulto e pediátrico, com diferença em sua formulação e posologia. No entanto, crianças abaixo de 2 anos ou 15 kg merecem atenção especial na hora de determinar o vermífugo a ser utilizado, pois nem todos os medicamentos disponíveis no mercado são seguros para esse peso/idade.”
A pediatra também explica que no caso da ivermectina, vermífugo popular usado para tratar infecções por parasitas, seu uso é considerado de segunda linha para a maioria das verminoses na infância, pois as crianças já respondem bem e com segurança aos medicamentos da classe dos benzimidazólicos. O medicamento ficou conhecido pela polêmica do chamado tratamento precoce de covid-19, mas não é indicado pela Organização Mundial de Saúde no tratamento contra o coronavírus e não tem nenhuma eficácia comprovada cientificamente – podendo, inclusive, provocar graves efeitos colaterais com uso indevido. Em crianças, essa medicação é indicado apenas em casos de infecções por Strongyloides, uma das espécies de helmintos que atuam como parasitas no intestino. “Isso reforça a importância do exame parasitológico de fezes na identificação do parasita para a escolha do tratamento”, ressalta Francielle. Assim, em caso de verminoses, é preciso consultar um especialista para que seja feito o exame, e, posteriormente, a medicação e dosagem possam ser administradas corretamente de acordo com cada caso.
Sinais de verminoses nas crianças
De acordo com Francielle, os sinais e sintomas presentes nas verminoses variam de acordo com o parasita. Assim, o quadro clínico é extremamente variável, e pode ser desde assintomático, até permitir a visualização dos vermes nas fezes da criança a olho nu.
“Entre os sintomas mais comuns podemos pontuar a perda de apetite, irritabilidade, prurido anal, dor abdominal, náuseas, vômitos, distensão abdominal, diarreia, com ou sem muco e sangue, e desidratação”, pontua a médica.
Portanto, é essencial que, caso os pais notem algum desses sintomas, ou suspeitem de uma possível contaminação por vermes, se busque um especialista. Assim, a criança passará pelos testes necessários para ver se há realmente uma verminose, qual parasita foi o responsável pela infecção e se o remédio para verme será uma indicação para o caso dela em particular.
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Isadora Noronha Pereira
Estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, apaixonada por se conectar com histórias além do seu próprio universo. Adora ler, escrever e ouvir música a todo momento.
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