Quer engravidar? Então, corra!

Não, a gente não quer te pressionar nem apressar uma decisão tão séria. Mas correr (ou praticar outras atividades físicas) tem tudo a ver com a fertilidade — e isso vale tanto para mulheres quanto para homens, viu?

Se você está tentando engravidar (ou planejando começar as tentativas), provavelmente já ouviu mil conselhos: “relaxa”, “viaja”, “toma chá disso ou daquilo”, “para de pensar nisso”. Mas alguém já te recomendou a sair correndo? Literalmente mesmo! É que o sedentarismo é um grande empecilho para a concepção – e a ciência comprova isso.

“Além das causas naturais e do envelhecimento, sabemos que há um impacto da vida moderna e dos maus hábitos de vida nas causas da infertilidade. O sedentarismo e a obesidade, por exemplo, dificultam muito a concepção de um filho”, explica o ginecologista e obstetra Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime (SP).

Segundo o médico, a atividade física regular (não necessariamente a corrida, mas qualquer modalidade) pode melhorar o funcionamento hormonal, ajudar no controle do peso, reduzir o estresse e até favorecer parâmetros ligados à fertilidade.

Um dos pontos mais importantes (e ainda pouco falados) quando se discute fertilidade é que não existe “projeto gravidez” que dependa só da mulher. A rotina, os hábitos e o corpo masculino também entram nessa conta. Estudos mostram que homens envolvidos em programas de fertilização in vitro que faziam exercícios regulares (de intensidade moderada a vigorosa) apresentaram concentrações de espermatozoides mais altas do que homens menos ativos. “Esse é um dado importante, porque o hábito de vida de ambos, tanto do homem quanto da mulher, importa para o sucesso da fertilização”, reforça Rosa.

Na prática, isso significa que, se o casal está tentando engravidar, faz sentido os dois olharem para a própria saúde com mais carinho, não como obrigação, mas como estratégia. Atividades como corrida, musculação, pilates e outros exercícios (desde que feitos com equilíbrio) podem ajudar o organismo a produzir e regular hormônios femininos e masculinos que são importantes para a concepção. E não estamos falando de virar atleta ou passar horas na academia. O importante é sair do modo sedentário e entrar num ritmo mais ativo.

O peso e a chance de engravidar

Outro motivo pelo qual a atividade física aparece como aliada é o controle do peso, não apenas por uma questão estética, mas pelo funcionamento do corpo. De acordo com o ginecologista, a obesidade pode afetar a fertilidade de forma direta, interferindo na produção de hormônios femininos, como o estrogênio, e atrapalhar a ovulação. Além disso, pode aumentar riscos para a gestação, como diabetes e hipertensão.

Nos homens, o excesso de gordura corporal pode reduzir a produção de testosterona, o que pode afetar libido, ereção e, principalmente, a qualidade do esperma. “Quanto maior o sobrepeso, menor é a qualidade, concentração e mobilidade do esperma”, explica o especialista.

Equilíbrio importa mais do que o número que aparece na balança e o outro extremo também é preocupante. Mulheres muito magras, como em quadros de anorexia, também podem ter menor chance de engravidar, além de maior risco de alterações hormonais importantes.

Menos estresse

O médico reforça também que níveis altos de estresse podem desencadear processos fisiológicos capazes de interferir em hormônios reprodutivos. Nos homens, isso pode até aumentar proteínas inflamatórias que prejudicam a qualidade do esperma. Por isso, o exercício entra como um aliado também do ponto de vista mental.

A corrida, por exemplo, está ligada ao aumento de serotonina (hormônio associado ao prazer e bem-estar) e à redução do cortisol, o hormônio do estresse. “Altos níveis de estresse podem tornar as chances de um casal engravidar menores”, diz Rosa.

Outro fator que muita gente esquece de considerar quando está tentando engravidar é o sono. Dormir bem é essencial para que a hipófise (uma glândula no cérebro) funcione como deveria. Ela é responsável por produzir vários hormônios, inclusive os que estimulam ovários e testículos. “Quando o período de repouso é curto ou de pouca qualidade, essa glândula não funciona da maneira como deveria, o que interfere na fertilidade”, explica o obstetra.

Pequenas metas já ajudam

Em muitos casos, o corpo responde bem a mudanças simples. “Meia hora de exercícios, três vezes na semana, já pode ser suficiente para melhorar a qualidade do esperma”, afirma. Isso significa que você não precisa começar com 5 km, nem virar a pessoa que acorda às 5h para treinar. Lembre-se de que a consistência é mais importante que a intensidade.

Além disso, a moderação é chave. O médico explica que o “overtraining”, que seria o excesso de treino, sem descanso e recuperação adequados, também pode prejudicar o funcionamento da hipófise e desregular hormônios ligados à fertilidade.

Além disso, há um ponto especialmente perigoso: o uso de esteroides e substâncias que simulam testosterona, muito comuns em contextos de ganho de massa muscular. Segundo o especialista, nos homens, esse tipo de uso pode causar impotência e queda do desejo sexual. Nas mulheres, pode provocar desequilíbrios hormonais e dificultar o crescimento do endométrio — o que reduz as chances de gravidez e pode aumentar o risco de aborto.

Ou seja: atividade física ajuda, mas o caminho é o da saúde, não o da obsessão!

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