Protocolos sociais existem para serem seguidos. Será?

Muitas vezes, reproduzimos regras para seguir o padrão e orientamos os filhos a fazer o mesmo. Mas por que seguir algo que não nos faz sentido?

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Mãe calça tênis na filha
Muitas vezes dizemos aos filhos para usar certos tipos de roupas ou sapatos apenas para seguir a média
Buscador de educadores parentais
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Provavelmente vocês já devem ter presenciado alguns protocolos sociais, tais como:

  • Ceder o assento de algum transporte público para idosas ou gestantes.
  • Separar o lixo reciclável do orgânico.
  • Segurar a porta do elevador para alguém que está saindo ou entrando.
  • Não pegar a vaga de estacionamento de quem já estava esperando.

Os protocolos sociais são criados para facilitar um convívio saudável entre as pessoas. Mas e quando esses protocolos nos colocam em situações que não fazem muito sentido?

Hoje vamos falar sobre os protocolos sociais que rondam a parentalidade e entender por que protocolos que faziam sentido antes de você se tornar mãe ou pai e hoje não fazem mais.

Antes de começar, vamos entender o que são protocolos sociais.

O protocolo social é um conjunto de comportamentos, hábitos e normas não obrigatórios para um convívio correto de uma sociedade que, normalmente, são aceitos pela maioria das pessoas. São padrões que vêm sendo adotados ao longo do tempo, e se tornando convencionais ou normalizados.

Resumindo, os protocolos sociais foram criados com o intuito de organizar de forma harmônica a boa convivência em sociedade, funcionando como regras sociais.

Porém, entendemos que muitas dessas regras foram criadas para seguir um padrão de sociedade, ou seja, elas criam um caminho de condutas que aceitamos serem as mais “corretas”, e como sugere a explicação, tornando-as normalizadas ao nosso cotidiano.

Eu já comentei várias vezes que a maternidade e a paternidade nos dão presentes que talvez nem desconfiamos que são presentes, um deles é a abertura dos nossos olhos para essas regras.

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Por exemplo:

  • Você já chamou alguns parentes, amigos ou pais dos amiguinhos de seu(sua) filho(a) para a festa de aniversário e notou que não fazia muito sentido eles estarem lá, somente por protocolo social?
  • Você já obrigou seu (sua) filho(a) a cumprimentar um amigo seu, sendo que ele nunca viu a pessoa antes, somente por protocolo?
  • Você já foi comprar um presente para uma criança (de 1 até 5 anos) em uma loja e aceitou a atendente perguntar se o brinquedo era para menino ou menina, sendo que você acredita que brinquedo não deveria ter gênero, somente por protocolo social?
  • Você já mandou seu(sua) filho(a) colocar o tênis ou vestir a camiseta, só porque as outras crianças do local estavam de tênis ou camiseta, para seguir protocolos?

Posso passar o dia descrevendo as inúmeras regras sociais que se tornam questionáveis depois que nos tornamos pais.

Mas a questão é: por que mesmo não fazendo sentido seguimos essas regras? Porque essas regras já existem muito antes de você nascer e provavelmente você foi criado dentro delas. 

Quebrar ciclos que já fazem parte da nossa vida é muito difícil, mas como comentei anteriormente, a maternidade e a paternidade nos transformam e nos tornam capazes de fazer coisas que nem imaginamos.

Minha sugestão é que vocês se questionem toda vez que alguma dessas regras causarem algum incômodo, e quando esse incômodo for muito grande entendam que as regras são ferramentas de controle para algum padrão e esses padrões podem e devem ser modificados quando não fazem mais sentido.

Um exemplo real que escutei de uma amiga alguns dias atrás:
Ela trabalha em uma empresa multinacional e toda vez que ela chega no escritório se sente na obrigação de cumprimentar os colegas com um beijo no rosto, cumprindo um protocolo social que já estava inserido na empresa antes de ela entrar. Porém, isso não faz o menor sentido para ela, sendo que a maioria dos seus colegas são homens.        

Imagine então que esse incômodo aconteça todos os dias da semana consecutivamente durante mais de cinco anos.

Vocês acham que isso influencia o estado da saúde mental dela?

Os protocolos sociais podem parecer pequenos ou inofensivos, mas ao longo de anos tendo que engolir essas regras, as pequenas agressões podem se transformar em problemas muito maiores.

*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.

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Mauricio Maruo
É pai da Jasmim e do Kaleo, e companheiro da Thais. Formado como artista plástico, atua como educador parental desde 2016. É fundador do "Paternidade Criativa", uma empresa de impacto social que cria ferramentas de transformação masculina através do gatilho da paternidade. Criador do primeiro jogo de Comunicação Não Violenta direcionado para pais e crianças do Brasil.

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