Os telefones fixos estão de volta?

Em vez de dar um celular para filhos ainda pequenos, algumas famílias estão resgatando o telefone fixo para que crianças e pré-adolescentes conversem com amigos sem acesso à internet e às redes sociais
Telefone antigo está de volta!

Diante de tudo o que temos visto, nos noticiários, nas séries, nos filmes ou mesmo acontecendo perto de nós, fica cada vez mais claro que oferecer um smartphone para uma criança ou para um adolescente é um risco. Quanto mais esse momento puder ser adiado melhor.

Ao mesmo tempo, estender esse tempo não é fácil, quando seu filho é o único da sala que não está no grupo de WhatsApp e que fica por fora dos assuntos ou dos memes. A ausência de espaços públicos seguros e o excesso de trabalho dos adultos deixa um vácuo na vida das crianças, que ficam cada vez mais fechadas em casa, sem tempo para brincar e socializar. Este buraco acaba sendo preenchido pela tecnologia.

Para tentar solucionar este dilema, algumas famílias foram buscar respostas, olhando para trás. Em vez de entregar um smartphone para os filhos ainda no ensino fundamental, algumas famílias estão voltando a usar um recurso que parecia ter ficado no passado: o telefone fixo.

O aparelho permite que as crianças conversem com amigos e familiares, mas sem os aplicativos, redes sociais, jogos e notificações constantes que fazem parte da experiência dos smartphones. A estratégia tem chamado atenção de especialistas e famílias que buscam equilibrar conexão e saúde digital na infância.

Em entrevista ao programa The Current, da emissora canadense CBC, especialistas explicaram que o telefone fixo pode funcionar como uma espécie de “etapa intermediária” antes do smartphone. Ele permite que crianças aprendam a se comunicar e a manter amizades, mas sem acesso irrestrito à internet (igualzinho você mesmo fazia na sua infância e na sua adolescência, lembra?).

Além disso, o formato mais simples do aparelho estimula um tipo de interação diferente. Como não há telas, filtros ou emojis, a conversa depende apenas da voz e da escuta, o que pode ajudar crianças a desenvolver habilidades sociais e de comunicação.

Especialistas destacam que, ao falar ao telefone, as crianças precisam prestar atenção ao que o outro está dizendo, interpretar o tom de voz e manter o diálogo. Essas habilidades são importantes para o desenvolvimento emocional e para a construção de relacionamentos.

Em alguns casos, os pais instalam o telefone em uma área comum da casa para que as conversas aconteçam ali. Assim, as crianças podem ligar para amigos, marcar encontros ou conversar com familiares, mas sem levar o aparelho para o quarto ou usá-lo por horas.

Há também novos modelos de telefone inspirados nos antigos aparelhos de mesa, criados especialmente para crianças. Eles permitem chamadas apenas para contatos aprovados pelos pais e não têm acesso à internet ou redes sociais. Em vez de um celular completo, além da ideia dos telefones fixos modernos, algumas famílias optam por aparelhos móveis, mas com funções limitadas.

Para muitas famílias, o principal benefício é permitir que as crianças desenvolvam autonomia social sem depender totalmente dos pais. Em vez de adultos trocarem mensagens para organizar encontros, os próprios filhos podem ligar para os amigos e combinar atividades.

Além disso, ouvir as conversas às vezes oferece aos pais uma visão mais natural da vida social das crianças, algo que mensagens de texto ou redes sociais nem sempre revelam.

Ainda assim, vale lembrar que o telefone fixo está longe de ser uma solução permanente. Em algum momento, a maioria dos adolescentes terá um smartphone. A ideia é apenas adiar esse passo até que as crianças estejam mais maduras para lidar com a tecnologia.

Você instalaria um na sua casa?

Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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