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Ney Matogrosso narra nova animação infantil, que estreia neste mês
Delicada, silenciosa e profundamente sensorial, a série de animação O Menino que Engoliu o Sol estreia em fevereiro como um convite à escuta da infância. Com narração de Ney Matogrosso e direção de Patrícia Alves Dias, a produção, exibida pelo Sesc TV, é dividida em 13 episódios de sete minutos que falam de natureza, afetos e dos medos que acompanham o processo de crescimento. A exibição acontece aos sábados, às 10h, com reapresentações ao longo da semana, mas também é possível acessar online na web ou pelo aplicativo do Sesc.
Inspirada no livro homônimo de Ricardo Pieretti Câmara, no imaginário poético de Manoel de Barros e no mito do fogo do povo indígena Guató, a série transporta o espectador para o Pantanal, que não é apenas um cenário, mas um personagem vivo. Ali, a infância é feita de tempo esticado, de brincadeiras com o visível e o invisível, de silêncios que falam.
No episódio de estreia, Ácó Cene (7/2), as crianças conhecem Manoel, um menino que acorda todos os dias disposto a brincar com tudo o que existe: rios, insetos, plantas e até o que parece imóvel. Seu companheiro mais próximo é um peixe-cachorro, e o rio é um espaço de descoberta e abrigo. À noite, porém, o escuro ainda assusta. A avó Donana o ampara e ajuda a lidar com o medo.
Em Ácó Dùni (14/2), a natureza anuncia transformações: a saracura chama a chuva, os insetos se multiplicam e o corpo do menino responde. A dor de barriga mobiliza saberes tradicionais, benzimentos e a escuta atenta da avó, revelando uma infância atravessada por práticas ancestrais, em que corpo, ambiente e cuidado caminham juntos.
Já em Ácó Cùmu (21/2), as manhãs de Manoel são feitas de faz-de-conta. O vento ganha rabo, o bosque se enche de águas improváveis e ariranhas brincam no rio. O dia se alonga como estratégia para que a noite não chegue tão cedo, enquanto Donana cria pequenos rituais cotidianos para que o medo não encontre espaço.
Encerrando o mês, Ácó Rékai (28/2) apresenta manhãs marcadas por “falas intermináveis de silêncio” e pela experiência da escola — um espaço onde convivem crianças, garças, borboletas e o próprio Pantanal, maior que o mundo. Quando a noite ameaça trazer de volta o medo, o céu se ilumina com vagalumes, oferecendo ao menino novas formas de atravessar a escuridão.
Finalista do Japan Prize 2020, uma das mais importantes premiações internacionais dedicadas a conteúdos educativos, O Menino que Engoliu o Sol respeita a inteligência da infância e amplia o repertório sensível de crianças e adultos. Ao transformar o Pantanal em território de poesia, escuta e imaginação, a série convida toda a família a sentir o mundo com mais delicadeza.
Canguru News
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