Meninas na ciência: nomes do Brasil que nos enchem de orgulho e que seu filho deveria conhecer hoje

Você sabia que 11 de fevereiro é o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência e que, no Brasil, temos vários exemplos que nos enchem de orgulho? Aqui, alguns nomes que as crianças precisam conhecer
Conheça brasileiras que mudaram o mundo fazendo ciência

No Brasil, uma descoberta recente chamou a atenção: uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou resultados promissores com uma substância chamada polilaminina, que pode abrir caminho para novas pesquisas sobre recuperação de movimentos após a paralisia. A cientista à frente do trabalho é Tatiana Sampaio, pesquisadora que lidera os estudos sobre o tema. Embora muitas avaliações e testes ainda sejam necessários para compreender melhor os efeitos, a eficácia e os riscos da polilaliminina na medicina, Tatiana já tem feito a diferença, não só no campo científico, mas também na vida de milhões de meninas, que podem se inspirar nela e entender a importância de fazer ciência e todas as possibilidades que isso representa, para transformar a vida delas mesmas e o mundo.

Embora várias mulheres tenham feito descobertas revolucionárias ao longo da história, em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, durante muito tempo, a ciência foi vista como uma área majoritariamente masculina. Diante da clássica pergunta: “O que você quer ser quando crescer?” era raro que uma menina respondesse “cientista”. Mas, felizmente, isso tem mudado – e muito!

Um experimento científico chamado “Draw a Scientist” (“Desenhe um cientista”, em tradução livre) ajuda a entender o que as crianças imaginam quando pensam em ciência. A ideia é essa mesma, que o nome já indica: os pesquisadores pedem que as crianças desenhem um cientista e analisam os resultados. Ao comparar as mudanças que aparecem nesses desenhos, ao longo dos anos, é possível entender que, conforme as meninas passam a ver mais mulheres cientistas em livros, filmes, séries, na escola e na mídia, os desenhos também mudam: começam a aparecer cientistas mulheres. É um sinal de que as crianças estão ampliando o que imaginam ser possível para si mesmas.

O que as pesquisas mostraram ao longo de décadas é bem interessante e nos enche de esperança! Nas pesquisas originais, feitas entre 1966 e 1977, com quase 5 mil desenhos, menos de 1% retratou uma cientista como mulher e isso só aconteceu em desenhos feitos por meninas. No entanto, nas mais de 80 repetições desse teste realizadas depois disso, com mais de 20 mil crianças, o número de desenhos com cientistas mulheres cresceu bastante. Em 1985, cerca de 33% das meninas desenhavam mulheres cientistas e em 2016 esse número chegou a 58%. A maioria dos meninos ainda desenham cientistas como homens, mas também houve aumento de representações femininas.

Outro ponto curioso é que, quando são crianças pequenas (por volta dos 6 anos), meninas e meninos tendem a desenhar cientistas de ambos os gêneros com mais equilíbrio. Conforme crescem, a associação de “cientista” com homens tende a voltar a aparecer, o que mostra como mensagens culturais e estereótipos influenciam a visão da ciência. Tudo isso sugere que a imagem que as crianças têm de quem pode ser cientista está se transformando, especialmente quando elas veem mais mulheres em papéis científicos. Isso é uma verdadeira revolução, porque pode ajudar meninas a imaginar a si mesmas como cientistas.

Além de Tatiana Sampaio, reunimos outros cinco exemplos de mulheres brasileiras que revolucionaram o mundo por meio da ciência – e que as crianças precisam conhecer. Mas atenção: este é só um “empurrãozinho”. Vale pesquisar mais e descobrir histórias interessantíssimas, de meninas que fizeram e fazem história, enquanto estudam, pesquisam, descobrem, inventam…

1) Nise da Silveira – psiquiatria

Nise revolucionou o cuidado com pessoas em sofrimento mental ao defender tratamentos mais humanos, com menos violência e mais escuta. Ela também mostrou a força da arte como expressão e caminho de cuidado.

2) Bertha Lutz – biologia

Zoóloga e pesquisadora, Bertha estudou anfíbios e trabalhou no Museu Nacional. Além da ciência, foi uma figura essencial na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, ajudando a abrir portas que hoje parecem óbvias, mas não eram.

3) Jaqueline Goes de Jesus – biomedicina

No início da pandemia, Jaqueline coordenou a equipe que fez o sequenciamento do coronavírus no Brasil em tempo recorde. O trabalho dela foi fundamental para monitorar variantes e entender a evolução do vírus, que colocou a humanidade em xeque.

4) Lygia da Veiga Pereira – genética

Lygia da Veiga Pereira é uma das cientistas brasileiras mais respeitadas na área de genética e células-tronco. Está à frente do Projeto DNA do Brasil, que busca mapear o genoma de comunidades diversas do país para melhorar a base de dados genéticos brasileiros e tornar a medicina mais representativa e eficaz para todos.

5) Sônia Guimarães – física

Sônia foi a primeira mulher negra doutora em Física no Brasil. Ela atua com pesquisa, ensino e divulgação científica, sendo uma voz fundamental quando o assunto é inclusão e diversidade. Tornou-se professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), quando o instituto ainda não aceitava mulheres entre seus alunos, em 1993.

Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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