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Infecções crescem com retorno às aulas
Por Metro Jornal – Quase três meses após o retorno presencial de 100% das crianças às creches, o crescimento de viroses e resfriados nos pequenos já deixa pais e pediatras em alerta. Entre as doenças adormecidas com o isolamento social e que voltam com força está a popular mão-pé-boca, causada pelo vírus Coxsackie A16. Ela é altamente contagiosa e ganhou o nome por conta do aparecimento de pequenas feridas nessas partes do corpo. Apesar de não ser considerada grave, ela demora cerca de 10 dias para passar.
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o número de registros de surtos neste ano já alcança 173, maior quantidade desse 2015. O município notifica os casos coletivos, quando muitas crianças são contaminadas ao mesmo tempo, mas a doença não é de notificação compulsória, o que indica que os registros reais devem ser ainda maiores.
O adoecimento dos pequenos foi destaque também no monitoramento da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em seu boletim Infogripe da semana passada, o órgão de saúde alerta para o aumento de casos na faixa etária entre 0 e 9 anos. Foram cerca de 1,5 mil casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no Brasil na semana de 7 a 13 de novembro entre as crianças, número maior do que o registrado em julho de 2020 (1.282), por exemplo. As análises da Fiocruz indicam que o vírus sincicial respiratório é o predominante nesses casos, com a covid-19 representando a minoria. Já entre a população adulta, os casos estão em queda, mas o coronavírus ainda é o predominante.
Para o órgão, o aumento é uma consequência direta da maior exposição dessa população nos últimos meses. “A situação reforça a importância da revisão dos protocolos adotados no ambiente escolar, como avaliação da capacidade de ventilação e circulação de ar nas salas de aula, bem como distribuição e uso consciente de máscaras adequadas”, afirma o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.
O infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que a situação era esperada, já que o isolamento deixou muitas crianças não expostas a essas doenças e o ambiente coletivo de convício nas escolas é propício às contaminações.
O médico lembra que muitas dessas doenças não possuem vacinas, mas que há imunização para as mais graves, como sarampo e hepatite. “O atraso nas doses para muitas crianças durante esta pandemia é grave.”
Ele afirma que o aleitamento materno também é importante para fortalecer o sistema imunológico dos pequenos. A recomendação do Ministério da Saúde é manter o leite da mãe na alimentação dos bebês ao menos até os dois anos de idade.
“Outra dica é não expor as crianças ao cigarro e também não levar para a escola quando apresentar sinais de alguma doença.”
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