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Luís Giffoni recomenda uma viagem a Mianmar, terra de exotismo asiático

Por Luís Giffoni
Em Mianmar, no Sul da Ásia, crianças e adultos podem apreciar uma paisagem extraterrestre. Basta subir a torre de Bagan, cidade histórica no meio do país, e observar o pôr do sol entre 2.200 templos budistas com suas abóbadas marrons. Melhor ainda se o clima estiver seco, poeirento. O sol perderá a intensidade para assumir uma cor que banhará o conjunto em tons quase sanguíneos, de fora deste mundo. Para completar a viagem interplanetária, só falta uma nave cruzar o céu. Balão não vale. Dezenas circulam por lá, aproveitando a beleza do poente e do nascente, carregando os visitantes sobre as construções de mil anos. A viagem pelo espaço vale cada centavo. Crianças e adultos adoram a experiência.
Mianmar é um país exótico. Tem praia tropical, tem o gelo do Himalaia. Tem um rio enorme que corta o país, o Irauádi (ou Irrawaddy), delicioso para nadar, tem floresta fechada. Tem campos de arroz em platôs escalonados, verdes de doer, tem a aridez do deserto. Tem tribo nunca contatada, tem construções arrojadas de civilizações que se foram. Tem mulheres que colocam argolas no pescoço para espichá-lo, tem milhares de monges que andam descalços ao mendigar comida. As pessoas usam pó de madeira para clarear a pele e se protegerem do sol. Tem muita arte em bambu e laca, tem canções que parecem ser da Idade da Pedra. Tudo isso arregala os olhos das crianças, estimula sua curiosidade e lhes ensina a diversidade do mundo.
A maior parte da população é budista, mas há outras religiões por lá – por exemplo, os animistas. Eles acreditam que espíritos habitam as árvores, as cachoeiras, as montanhas. Isso me trouxe um sério problema. Ao escalar o Monte Popa, perto de Bagan, depois de quatro horas de caminhada na mata, eu não pude fazer xixi na trilha. Seria um absurdo desrespeito ao Nat, o espírito que mora no local. O guia rezou por alguns minutos, pedindo perdão à entidade pelo meu sacrílego ato fisiológico. Ainda bem que o espírito concordou, senão teria de voltar correndo ao hotel.
Yangon é a antiga capital do país, que foi colônia inglesa e se chamava Birmânia. Vale a pena visitar seu templo Shwedagon, que tem 2.500 anos. A gente dá uma volta no tempo. No Lago Inle, os homens remam os barcos com os pés. Garotos e garotas podem aprender o estranho ofício. As casas são palafitas, e os hotéis também. Nas margens, diversas espécies de bichos convivem com plantas que exalam perfumes que adocicam a atmosfera. Artesãos fabricam tecidos e roupas dignos de reis e rainhas.
Mianmar só agora está sendo aberto ao turismo, depois que os militares começaram a passar o poder para os civis. É um território quase virgem para desbravar. E se encantar. Deixa um lastro de belas lembranças, tanto para adultos quanto jovens. Mianmar: você vai amar.
Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br
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