“Looxmaxxing”: se você é pai ou mãe de menino, precisa saber o que é isso

O movimento viralizou nas redes sociais e oferece riscos à saúde mental e física de adolescentes
Conhecido também como looksmaxxing, o termo significa algo como “potencializando a aparência” Foto: Freepik

Nunca foi fácil ter filhos, mas, nos últimos anos, a situação tem ficado ainda mais complexa. Termos como “redpill”, “incel” e muitos outros, predominantes em redes que promovem a misoginia, passaram a ter de fazer parte do vocabulário das famílias, que lutam para criar meninos emocionalmente saudáveis, em um contexto cheio de armadilhas. Agora, outra palavra foi adicionada à lista: “looxmaxxing”. Você já ouviu falar? Calma, que a gente explica.

Embora durante décadas, a pressão estética tenha sido mais fortemente associada às meninas, o fenômeno looxmaxxing traz um pouco disso também para os garotos, d e uma forma preocupante.

A palavra looksmaxxing circula em plataformas como TikTok, YouTube e fóruns online e descreve a tentativa de “maximizar” ou “potencializar” a aparência física para se tornar mais atraente. A ideia envolve desde mudanças simples de estilo até práticas mais radicais, que podem colocar a saúde em risco.

O problema é que, para muitos adolescentes, a tendência pode se transformar em uma busca obsessiva por um padrão de beleza masculino idealizado, alimentado por influenciadores e conteúdos virais.

O que é o looksmaxxing, afinal?

No universo online, o looksmaxxing é apresentado como um conjunto de estratégias para melhorar a aparência. Algumas práticas são relativamente comuns, como cuidar da pele, mudar o corte de cabelo, treinar na academia ou melhorar a postura. Essas mudanças são chamadas de “softmaxxing”, ou seja, formas mais leves de otimização da aparência.

Mas existe também o chamado “hardmaxxing”, que inclui procedimentos invasivos ou perigosos, como cirurgias estéticas, uso de esteroides, hormônios ou práticas que prometem alterar o formato do rosto.  Alguns conteúdos que circulam na internet chegam a incentivar métodos extremos, como técnicas agressivas para mudar a mandíbula ou o rosto, algo que preocupa médicos e pesquisadores. Uma das práticas mais alarmantes que circulam em fóruns mais radicais ensina a bater repetidamente em ossos do rosto (como mandíbula ou maçãs do rosto) para estimular crescimento ósseo ou remodelação. Dá para acreditar? Médicos alertam que isso pode causar lesões, fraturas e danos permanentes.

Meninos e a pressão estética

Embora a pressão sobre a aparência feminina seja mais discutida, pesquisas mostram que meninos também estão cada vez mais insatisfeitos com o próprio corpo. Um estudo da Movember, uma ONG australiana focada em saúde mental masculina, realizado em 2025, indica que cerca de 60% dos jovens entre 16 e 25 anos são expostos regularmente a influenciadores que falam sobre masculinidade e aparência, muitas vezes sem perceber as mensagens problemáticas por trás desse conteúdo.

Nessas comunidades online, a ideia central é que o valor de um homem depende da aparência física e da validação feminina, um discurso que pode afetar fortemente a autoestima e a saúde mental dos adolescentes.

Quando a busca por aparência vira risco

Essa pressão estética pode trazer consequências sérias. Alguns dos efeitos observados são:

  • Aumento da insatisfação corporal entre meninos
  • Crescimento de transtornos alimentares
  • Uso de esteroides ou suplementos perigosos
  • Desenvolvimento de dismorfia muscular (quando a pessoa se vê fraca ou pequena mesmo tendo um corpo musculoso)
  • Aumento de ansiedade e depressão.

Historicamente, meninos receberam menos apoio para falar sobre emoções e inseguranças. Por isso, muitos acabam buscando respostas na internet, onde encontram conteúdos que prometem soluções rápidas para autoestima e popularidade.

Por que os adolescentes são mais vulneráveis?

A adolescência é justamente a fase em que identidade, autoestima e pertencimento estão sendo construídos. Isso torna os jovens especialmente sensíveis a comparações e padrões de beleza. Algoritmos de redes sociais também podem reforçar esse ciclo: ao assistir alguns vídeos sobre aparência ou corpo, o adolescente passa a receber cada vez mais conteúdos do mesmo tipo, em um ciclo vicioso.

O que começa como curiosidade pode se transformar em um fluxo constante de mensagens imponto a mensagem de que é preciso modificar o próprio corpo para ter valor.

O que os pais podem fazer

Como todos os outros, este é um tema que não pode ser ignorado. O ideal é observar seu filho, as mudanças de comportamento e buscar diálogo, sem julgamento.

Algumas atitudes podem ajudar:

  • Conversar sobre padrões irreais de beleza nas redes sociais
  • Incentivar discussões sobre autoestima e identidade além da aparência
  • Observar mudanças de comportamento, como obsessão com corpo ou dietas
  • Criar espaços seguros para que meninos falem sobre inseguranças
  • Buscar ajuda profissional se houver sinais de sofrimento emocional.
  • Fortalecer a relação dentro de casa.
  • Supervisionar e limitar o uso da internet.

Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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