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Lábio leporino e fenda palatina afetam 1 em cada 600 crianças brasileiras
Por Rafaela Matias
Rir é uma delícia. Além de ser uma das mais genuínas expressões do corpo humano, traz diversos benefícios à saúde, como o fortalecimento dos músculos da face e a sensação de bem-estar. Em algumas crianças, porém, uma condição congênita dificulta os primeiros sorrisos. A fenda palatina e o lábio leporino são condições médicas consideradas comuns até os 2 anos, com incidência de um para cada 600 nascidos vivos no Brasil.
O principal sintoma é uma abertura no lábio e no céu boca, de um lado ou dos dois, que dificulta a fala e a alimentação e causa alterações na dentição, nos ossos e na musculatura, atrapalhando todo o desenvolvimento do crescimento da face, da fala e da deglutição. De acordo com o médico Gabriel Basílio, que é voluntário do projeto Operação Sorriso (veja no quadro) e já operou mais de cem crianças com o problema, as causas são multifatoriais e podem estar relacionadas, além de fatores genéticos, ao uso de medicações anticonvulsivantes, deficiência de vitaminas, tabagismo, consumo de drogas ilícitas e abuso de álcool durante a gestação, principalmente nas primeiras semanas. “Evitar o uso dessas substâncias durante a gravidez, ter uma dieta saudável e balanceada e procurar um médico geneticista em casos associados à transmissão genética são as melhores formas de prevenção”, explica o especialista.
O tratamento para restauração da fenda palatina e do lábio leporino é cirúrgico e multidisciplinar, com profissionais das áreas de pediatria, fonoaudiologia, nutrição, enfermagem, odon- tologia e cirurgia plástica. As cirurgias de fendas labiais devem ser realizadas na idade entre 3 e 6 meses, e a de fenda palatina, em torno de 1 ano. “Essas cirurgias são cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e todo o tratamento pode ser realizado gratuitamente, mas as regiões mais pobres ainda são muito afetadas pela desinformação ou pelo difícil acesso aos centros de saúde”, diz o médico.
Além disso, outros tratamentos dentários e tempos cirúrgicos são necessários durante a infância e a vida adulta jovem para finalização da reabilitação completa. Caso não receba o tratamento adequado, a criança pode ser prejudicada com dificuldades de fala, deglutição, maior predisposição a infecções das vias aéreas e um possível prejuízo no desenvolvimento psicossocial.
OPERAÇÃO SORRISO

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