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Homem não lava louça?
“Homem não lava louça, você sabe, né? Nem cuida dos filhos. Homem é provedor. Quando você pede para o homem trocar a fralda do filho, instantaneamente seu órgão reprodutor atrofia, ouvir dizer que até castra. A expectativa é a criança com fraldas limpas, a realidade é uma vasectomia. Essa conversa fiada de paternidade ativa é coisa de feminista louca que não quer cumprir seus afazeres como mãe e esposa. Que está abandonando seu lado feminino e se tornando feminazi.
A mulher candidata a se tornar feminista começa a se reunir nos grupos de mães, criado inicialmente para discutir coisas simplórias como programação cultural infantil e logo estão juntas fazendo passeata pelo direito das mulheres e mamaço em praça pública. É uma lavagem cerebral! Logo ela começa a sair para a balada sozinha e deixa o filho com o pai, que comprovadamente não tem capacidade de cuidar porque é algo exclusivo do sexo feminino, que obviamente já nasceu para isso porque tem mãos e útero. Nascer só com mãos não serve. Toda vez que uma mulher obriga o marido a fazer atividades domésticas o faz ter contato com a energia feminina, vai que ele gosta? Imagina só o estrago.
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Imagina só um pai que sabe cuidar? E embarcar nisso de dividir tarefas? Já imaginou o absurdo de um pai que cria seu próprio filho? Inadmissível! Tira toda a essência da paternidade de antigamente, em que os filhos não diziam “eu te amo” e nem viam seu pai chorar para não amolecerem demais. Aqueles pais fracos que pedem desculpas e, imagine só, criam conexão com seus filhos, se tornam amigos. A paternidade assim é muito difícil. Fica muito mais fácil quando os homens podem seguir seus instintos primitivos que permitiram conquistar o mundo e simplesmente deixar que a mulher seja a pessoa que cria, afinal, quem pariu que o embale. Não é assim o ditado?
Não é de se espantar que esta geração está assim, filhos que respondem aos pais, que argumentam com inteligência. No meu tempo, criança não tinha direito de querer. Hoje, as famílias estão “destruídas” porque as mães estão finalmente felizes e podem exercer uma maternidade leve, e os pais estão mais conscientes e felizes enquanto participam do cuidado e da vida dos seus filhos. Os casamentos também, quando o casal divide as tarefas e ninguém fica sobrecarregado. Mas não é isso que importa. O importante, de fato, é não castrar os homens pedindo que eles lavem a louça e revejam seu machismo, porque isso é uma resposta há anos de opressão que as mulheres exercem sobre os homens. Ou seria o contrário?
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Sheila Trindade
Sheila Trindade é escritora e fundadora do Blog Uai Mãe. Mãe de quatro filhos, um monte de histórias para contar cheias de aventuras, dúvidas e receios. De forma autêntica e com bastante humor, quer provar que a maternidade pode ser divertida quando a gente se permite rir dos próprios erros.
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