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Grávidas de meninas carregam células de futuros netos — e a ciência explica como isso acontece
A gravidez é uma experiência biológica muito mais complexa do que parece à primeira vista. Durante a gestação, mãe e bebê não compartilham apenas nutrientes e hormônios. Eles também trocam células, que podem permanecer no corpo por décadas. Quando uma mulher está grávida de uma menina, ela pode carregar em seu corpo células das futuras gerações da família.
Isso acontece porque os ovários da bebê, onde se formarão os óvulos dela, começam a se desenvolver ainda durante a vida fetal. Assim, quando uma mulher carrega uma filha, os óvulos que poderão gerar seus futuros netos já estão presentes dentro do corpo da bebê em desenvolvimento.
Uma conexão celular entre gerações
Mas a mágica do corpo humano e do sistema reprodutivo vai ainda mais longe. Além dessa cadeia biológica entre três gerações, pesquisas também já demonstraram que ocorre também uma troca direta de células entre mãe e filho durante a gestação.
Durante a gravidez, células fetais atravessam a placenta e passam a circular no organismo da mãe, podendo permanecer ali por anos ou até décadas depois do parto. Esse processo transforma a mulher em uma espécie de “microquimera”, ou seja, alguém que abriga pequenas populações de células geneticamente diferentes das suas próprias. Essas células podem se instalar em diferentes tecidos do corpo, como sangue, fígado, pulmões e até cérebro.
A geneticista e neonatologista Diana W. Bianchi foi uma das pesquisadoras que ajudou a revelar a presença dessas células fetais no organismo materno, inaugurando um campo de pesquisa que hoje segue aprofundando a investigação sobre os efeitos disso na saúde das mães e dos filhos.
A troca de células durante a gestação pode envolver mais de duas gerações. Estudos mostram que células da avó também podem estar presentes no organismo do bebê, herdadas da própria mãe durante a vida fetal.
Em alguns casos, células herdadas da avó parecem até desempenhar um papel no sistema imunológico durante a gestação da filha. Pesquisas experimentais indicam que essas células podem ajudar a modular a resposta imune da mãe, favorecendo a proteção do feto.
O que essas células fazem no corpo da mãe
Embora o microquimerismo seja conhecido há décadas, os cientistas ainda investigam exatamente qual é a função dessas células.
Algumas hipóteses sugerem que elas podem atuar de forma semelhante a células-tronco, participando de processos de reparo de tecidos e cicatrização no organismo materno. Outras pesquisas investigam se a presença dessas células pode estar ligada a algumas doenças autoimunes ou a mudanças no sistema imunológico.
Há também teorias evolutivas que sugerem que essas células podem influenciar a forma como o organismo materno distribui recursos durante a gestação.
Apesar de ainda existirem muitas perguntas sem resposta, o microquimerismo é considerado um dos fenômenos mais intrigantes da biologia da gestação. Ele mostra que a conexão entre mães e filhos não termina no parto, mas pode permanecer literalmente dentro do corpo por toda a vida.
Canguru News
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