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Experiências da infância, nossas e dos nossos pais, influenciam nosso DNA
As experiências que tivemos na primeira infância podem alterar o comportamento do nosso DNA. E algumas dessas alterações podem até ter sido transmitidas de uma geração para outra. Por isso, vivências que nossos pais tiveram quando criança podem influenciar geneticamente quem somos hoje.
É o que afirmam diversos estudos recentes sobre epigenética – área da ciência que estuda como o ambiente pode afetar a expressão dos genes.
Em artigo para a Folha de São Paulo, Mariana Luz, presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV), diz que os cientistas investigam até que ponto o que vivemos na infância e durante a gestação pode deixar marcas nos genes e influenciar, positiva ou negativamente, comportamentos e habilidades.
Daí a importância de crescer em um ambiente acolhedor, harmonioso e rico em experiências positivas, que favoreçam o bem-estar da criança e ampliem suas possibilidades no futuro.
“Viver em uma atmosfera ameaçadora, permeada pela violência, pobreza, abuso e negligência pode ajudar a produzir alterações que afetam negativamente a criança por toda a vida”, afirma a presidente da FMCSV.
Situação de pobreza na infância causa diversos prejuízos às crianças
Uma em cada três crianças de até seis anos vive na pobreza ou extrema pobreza no Brasil. E as situações de estresse pelas quais essas crianças passam na infância têm relação com o aumento do risco de doenças físicas e mentais, além de problemas comportamentais e de aprendizagem.
Diante desse quadro, Mariana ressalta a urgência de implementar políticas e práticas voltadas à primeira infância. Entre elas, iniciativas que apoiem as famílias, com informações e orientações quanto a como estimular os filhos, interagir e criar vínculos com eles. Investir em educação infantil pública de qualidade, com bons profissionais, ambientes e materiais apropriados, também é fundamental.
A presidente da FMCSV diz que a sociedade tem que garantir às crianças que alcancem em suas trajetórias o desenvolvimento pleno, em termos físicos, cognitivos e socioemocionais.
“Se restavam dúvidas, a epigenética está aí para mostrar que investir em políticas que cuidem da criança e apoiem suas famílias para que tenham condições de oferecer aos seus filhos um ambiente seguro, acolhedor e afetuoso é a melhor escolha. Cada dia na primeira infância conta muito. E seis anos passam rápido demais”, destaca Mariana.
Leia também: 5 livros para crianças de 4 a 6 anos
Verônica Fraidenraich
Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. Tem um filho, Martim, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.
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